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Mostrando postagens de Junho 18, 2015

Noite de 18 de junho de 2015

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A noite chegou e vou preparar um chá para ela. (Noite de 18 de junho de 2015)
A noite chegou com a boca cheia de dentes, o céu estrelado e ao lado o som do latido do cão do vizinho... O Chico, um poodle. O Chico não late muito, mas é meio histérico nesse horário; nessas horas o Chico está mais para Scarpa do que para Buarque. Esse mês o tempo está voando, e voando em um Concorde; o tempo toca em um acorde rápido e faceiro. A nova onda vem e lava tudo, mexe na areia e deixa o desenho da maré que esvazia. Quero ver minhas pegadas passeando nessa praia invisível e imaginária... Uma praia que até já existiu, pois é o misto de tantas que já visitei e me banhei. Lembro-me de cada particularidade, cada praia com a sua: há uma com areia muito fina, água gelada e ondas boa para o surf; tem também as com pedras espalhadas, tatuís na beira da água que a gente catava e cozinhava com arroz; lembro-me de das com bastante vento, poucas pessoas e a areia que voa e arranha a batata da perna molhada.  Ta…

Bloquinho de papel de pão

Darwin in VitoriaTV Gazeta interview in Vitoria at opening of Darwin.
Posted by Arlita McNamee on Quinta, 8 de outubro de 2009

Do mesmo jeito que a estupidez torna-se quase nula quando camuflada, a inteligência torna-se quase um desserviço quando mal administrada. 

Bloquinho de papel de pão
(André Anlub - 22/3/14)

Viagens na forma e na cor,
De contornos vê-se a alvura das nuvens 
E o livre leve nacarado da flor.

Esparramando nas entranhas,
Eis entranhas que fulgem:
De paixão e luz tamanhas
Que aqui e ali nomeamos de amor.

Sonhos que voam e pousam num flash,
Longínquas dimensões são transpostas
Nos pífanos porretas do agreste.

Segurando um ínfimo lápis mal apontado,
Com a borracha aos pedaços no outro extremo
- Desenha a clave de sol - escreve um belo soneto
Num papel de pão amarelado.

“Em breve” e “logo mais” não são “pra já!”

#HoraDeMúsicaÀs 21h30, no Zoombido, o anfitrião Paulinho Moska recebe a artista polivalente Suely Mesquita para uma conversa intimista permeada por muita música. Não perca!Veja mais: http://bit.ly/SuelyMes
Posted by Canal Brasil on Quinta, 18 de junho de 2015

“Em breve” e “logo mais” não são “pra já!” 
(em doze tempos)

I
Saindo de Juazeiro, nuvens,
Sol quente, um pouco de sede e muito já de saudade;
Deixando o olhar dos cães
E os meus olhos úmidos para todos que tenho apreço...
Mas é breve, é coisa ligeira.

O tempo passa tão logo, tão “flash”, como os ponteiros do relógio,
Na pressa e na eternidade do tempo que sempre já foi.
Seguem avião e emoção,
Trocam-se óculos...
Escuros – de grau.

Vem bloquinho, vêm sonhos de realidades;
Ao meu lado na poltrona: ninguém!
Lugar vazio é coisa rara nos tempo de hoje...
Vai ver foi de sacanagem,
Para aumentar o vazio e duplicar a saudade.

II
Entrando em Brasília:
Nuvens parecem montes, montanhas;
Nunca as vi com tais formas.

Ao longe uma se destaca mais assanhada,
Como um…

Armageddon

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Armageddon (do livro ”Poeteideser”)
(André Anlub - 3/4/09)

Nunca um céu se fez de feio,
Nunca houve uma cor de fogo.
Muitos galopes se ouviam à distância,
Eram quatro homens ao todo.
Ventos fortes surgiram num estalo,
Tsunamis do além.
O mundo esvaindo-se para o ralo,
Uns orando para outrem.
O pecado vindo à tona,
Abandono dos vinténs.
Correria, fogo e ferro,
Almas perdidas vagueiam.
Feridas se abrem
E o belo se faz feio.
A tristeza que invade,
O fim não está próximo
Já chegou e fez moradia.
O dia não mais existe...
Faces de melancolia.
Cães sem dono vagando nos destroços,
Idosos tentando se equilibrar.
Pessoas fazendo menções aos mortos
E cogumelos de podridão a brotar.
Uns saqueavam o comércio,
Outros deixavam para lá.
Olhos ficando cegos,
Elos a se quebrar.
Todos no mundo são réus,
A bola se partindo em duas;
Os cavaleiros sorrindo no céu,
Sempre acha quem procura.

Dueto da tarde (CLXXXI)

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Dueto da tarde (CLXXXI)

Veio a ideia de organizar as nuvens; uma aqui, outra acolá, e uma bem grande na frente do sol para não ofuscar a visão durante a labuta.
O vento colaborava e atrapalhava, juntando e desjuntando. O vento parecia se divertir muito.
O parque de diversão para os que veem além da visão; a razão que não míngua de viver e deixar viver a permuta.
Uma troca desigual: a intenção da brincadeira pela alegria genuína, que não precisa de artifícios para ser perene.
Uma nuvem mais cheinha à esquerda, uma nuvem menos cinza lá pelas tantas da direita, e no mata-borrão do azul de um domingo de sol... deixa-se quieto.
Não há o que fazer e tudo está se fazendo. Não se mexe uma palha e o universo não para de se mexer.
Veio um plano de apagar o sol e acender a lua... Loucura! Essa fantasia passou ligeira, foi deixada para outro ano.
A loucura é livre. Como qualquer é livre de confundir loucura com genialidade.
Devolve o dinheiro ao banco, embaralha as cartas, junta o dominó na caixa, desfaz …

Versos jovens, versos encanecidos

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Versos jovens, versos encanecidos... Sempre uma nova leitura
(Manhã de 8 de junho de 2015)

Explodiu a verdade de modo ímpar e madrepérola; denotou a beleza com a certeza da simplicidade. De intensidade absurda ecoa uma expressão de amor... Os planos estavam na mesa, à bebida, o alimento, a lente de aumento para entender as entrelinhas, e charuto cubano de cheiro maldoso. O verso voa de forma clara para o entendimento total; o verso pousa de forma absurda, obscura, para o entendimento total. Liberal ou não, algo raro estava no pedaço. Projetei em você um Eu ainda perdido; mas não deu certo. Desenhei em você o mapa da mina perdida; também não funcionou. Quis realeza... e tive. Quis destreza... e tive. Quis até o que nunca quero... e tive. Tive o cuidado de querer somente o possível... Pelo menos aos domingos, no resto da semana não. Abri o vinho mais caro, fiz o meu melhor prato, deixei o rato roubar as migalhas e os pássaros à vontade cantarem; deixei no forno um assado; deixei na panela…