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Mostrando postagens de Julho 10, 2015

Correm as águas

Senhora e Senhores, com vocês Edgar Duvivier e Chico Buarque...
Posted by Mano Melo on Sexta, 10 de julho de 2015

Correm as águas nervosas e frias
delas, tuas e minhas
na prontidão da montanha.

A resposta vem com o ar fecundo 
quebrando o coeso silencio
queimando mil brancos lenços
prevendo o fim dos futuros lamentos.

Nasceu em águas apaixonantes (disse alguém) a poesia.
Num cenário emoldurado que consagrou a cria.
(entre cantos, entre tantos, por ironia)
um poeta de amor sofria.

O corpo se contorce nas belas curvas do mistério
e meu universo se entorpece em um minuto.
Vejo minha vida, sua verve - seu externo.
Rogo amor eterno e me completo absoluto.

André Anlub

A poesia tirou-me de um sujo e apertado buraco

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An update from Roger:
Posted by Pink Floyd on Sexta, 10 de julho de 2015

Desenredou como que livrando-me dos sujos poços
lavando-me e deixando-me no fino trato.
E a alma, que até então perdida, renasceu
colocando farta comida no prato
e de fato sepultando os ossos.

A poesia tirou-me de um sujo e apertado buraco 
e jogou-me num asseado e extenso espaço:
- Meu muito obrigado!

André Anlub
(9/3/14)

A tal da saudade

Elas não andam mais só! Todo dia tem mulher na água, em todo o tipo de onda, com todos os tipos de prancha. O surfe feminino brasileiro cresceu, e está muito bem representado no Off. Confira o vídeo:
Posted by Canal OFF on Sexta, 10 de julho de 2015

A tal da saudade

De todos os sons
nada mais valia;
meu rock, meu jazz,
o doce do blues,
nem qualquer feitiçaria.
Minha cara metade,
cálida mulher,
jardim de vida:
ação – amor – afeição,
motor propulsor
e motivação...
Fiel agasalho – elixir,
sua voz é pronuncia,
mel – música,
que não canso de ouvir.

Acordei venerando a música,
peguei a gaita e o jeito,
não fazemos amor há tempos.
Saiu um blues dos pesados,
melodia traçada nessa harmonia.
Rito e reta,
meta e mote - fito o mito.
Sem moda, sem fúcsia,
filha única.

André Anlub

Letargia

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Letargia

A depressão lhe caía ao corpo, lhe corroía as entranhas, doía todos os músculos, juntas e ossos, cegava os olhos e secava as artérias e veias; a depressão o fazia um tudo tardio e torto, era nua, vil e absoluta, era o toldo à chuva, era de tudo um nada e daquilo e daquele inquilino mais tosco e fosco, um todo; a depressão lhe subia senil do chão ao alvo que era o alto, bem no alto da ponta da cabeça; sugava-lhe o sangue, o suor, a saliva da boca, a seiva do sexo, e desbotava todos os brilhos, os bagos, os beiços até que escureçam; a depressão já chegou a tempo e lhe tapou os tímpanos com seu tampão tempestuoso; arrancava-lhe as pálpebras, os pelos e cabelos, desmascarava suas ilusões, seus enganos e seus festejos, o bolinava e brochava ao extremo, o fazia enfermo, ínfimo, verme, vesgo; a depressão podia até ter boa intenção, mas bem no fundo à esmo; era verduga, verruga e veneno.  Mas e a garrafa? – A garrafa acabou e o copo secou. Não sobrou sequer um comprimido amigo, um som…

Dueto da tarde (CXCIX)

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Dueto da tarde (CXCIX)

As teorias da vida pareciam simplórias aos olhos nada clínicos do “bon vivant”.
Ser “bon vivant” também é uma teoria. Se é cínica, ele não decidiu ainda.
Assume suas contradições – quando tem tempo; sorri e debocha do sistema – quando há tempo.
Coça os dedos dos pés com os dedos dos pés. Palita os dentes e masca o palito, ficando com lascas entre os dentes... 
Em terras dos “tudo pode” não se pode ficar empacado. Até pode! Mas com bastante contradição e sem intenção alguma, estimula e dá o molde de como sair da vadiagem.
O vazio do vadio. Obra complexa. Complexo de obreiro. Burro parado não ganha frete. Mas é o burro quem ganha o frete?
Vai à frente, mas sem dinheiro. Puxa o peso, mas ganha desprezo. O burro come e dorme como pagamento, igual a muita gente.
Isto é ser “bon vivant”? Ele dá de ombros e um pequeno chacoalhão na carroça.
Pessoas assim não estão em extinção. Burros e burros e espertos não estão em extinção. O que são quase raros são os sinceros.
Sinceramente d…

Manhã de 10 de julho de 2015

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Mais um dia: a fruta e a luta, o real e o irreal, o Dólar e a bola e algum Real.
(manhã de 10 de julho de 2015)

É, agora sim, agora veio o dia, e dia lindo! Nessa manhã que parece ser só minha, manhã razoavelmente fria, entre o sul e o norte esconde-se minha verve; às vezes está fria, não está no cio, fica cega – não nego –, e não ferve, mas sempre serve. A meu ver – e a meu vil direito de reclame – ela me faz estar em uma hecatombe (usando de extremo exagero); mas pouco tempo dura esse sacrifício; pouco tempo de descanso, de repouso, de ostracismo; pouco tempo de teimosia, de heresia, de “vem – viria” –; acordou! A verve já põe os olhos no tempo, à faca na bainha, pistola no coldre, a espada na mão esquerda, uma flor na lapela, a bandeira branca na mão direita e o coturno de guerra no intuito interminável da paz. Com uma estrada limpa por sobre as nuvens, caminha levando uma chuva seca – chuva de inspiração; o bem-estar, o ar puro e renovos cautos/incautos e encantos, pelos canos e …