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É como caminhar solitário na China

Às 22h, veja o premiadíssimo filme O Som Ao Redor / Neighbouring Sounds, com Irandhir Santos!A presença de uma milícia...
Posted by Canal Brasil on Terça, 18 de agosto de 2015

É como caminhar solitário na China
(André Anlub - 3/6/13)

Comumente aparecem terremotos que abalam estruturas e enfraquecem terrenos. Nas raízes das árvores, o lamento; nas artérias e veias, o sangue esquenta. Há guerreiros e fantasmas internos munidos de lanças e espadas com a cabeça em redemoinhos e sentimentos em explosão. Há vidas passando em lembranças que surgem ao fechar dos olhos, nos quentes lençóis em frias noites, no fingir do embarcar nos sonhos. As emoções são rústicos vigias que transitam pelas alamedas vazias, passando pelos tugúrios de pedras com suas luminosas lamparinas. O lume dos candeeiros, por dentro dos nevoeiros, divide com o amor seu fulgor. Sagrada inspiração  é o real do imaginário, são sombras no caminhar solitário.

Um Mau Lugar da Pseudo-morte

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Tem o caso da mulher (muito simpática por sinal) que come e bebe de tudo, se exercita muito raramente, cuida da casa, dos filhos, da própria vida e conseguiu ter o peso que a mídia e o sistema impõem às mulheres. Só havia um detalhe: ela sofre de osteoporose. 



Um Mau Lugar da Pseudo-morte       
(André Anlub - 4/7/10)

Com as mãos sujas de pecados,
Corpos fortes, mentes fracas,
Lixos espalhados por todos os lados
Ficam a empunhar as suas facas.

Uns nus gritam abafados,
Outros dizem serem soldados de Hades;
Mas todos buscam se alimentar
Comendo os corpos estragados.

Existe em frente um imenso mar de sangue,
Com ossos e pedaços de carne.
Na junção com a terra se forma uma espécie de mangue
Com pequenos moluscos que beliscam as faces

O cheiro de podre domina os lugares,
Também no ar existem pequenas cinzas
De corpos queimados pelos calcanhares,
Bocas abertas procurando brisas.

A dor e o medo são cotidianos,
Zumbis e moribundos vomitam maldade.
A esperança e a vida há muito tempo padecem...
A única saída é pedi…
Uma das melhores coisas do mundo é uma convivência harmoniosa, sem atritos, onde todos os participantes podem, realmente, ficar à vontade, desarmados, sendo o que são sem sentir ameaça nenhuma por parte de quem está junto. Porque, neste caso, quem está junto de fato está, forma corpo uno, senão em ideologia, ao menos em, como disse, convivência. São pessoas que não fazem sacrifício para dividir o mesmo ambiente e, se não sentem um, digamos, prazer indescritível com a presença umas das outras, com certeza não veem nesta presença problema nenhum, estão entregues, estão em paz. Uma das piores coisas do mundo é o contrário de tudo isso, a tensão, a desconfiança, a armadura, a defesa constante, comportamentos arredios, belicosos. É péssimo porque pouca coisa existe pior do que não estar em casa dentro da própria casa.
(Rogério Camargo - do livro TODOS E NINGUÉM)

Botões abrindo-se em Flores

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Textos dedicados ao caríssimo amigo: Jacques Azicoff. 

Manhã de 14/4/15 – bardo que brada na quebrada.
Vim novamente da escola da história; aquela sofrida – ou nem tanto. Passo e vejo a rasteira do capoeirista que entorta a pista ou somente meus olhos. Leio enquetes no céu sobre cores do tempo, sobre sofrimentos e felicidades, casos eternos perdidos em uma bolha chamada: “talvez”... E algo mais, ou algo assim – ou nem tanto. Sinto o cheiro de grama encharcada, de cavalo, daquele mato irrigado, daquela bosta de gado – estrume fresco. Pois bem, estou em casa, enfim. Vou fazer café fresco, pão de centeio, queijo coalho e Muddy Waters no som bem alto. Acendi a lareira, o incenso, a ideia e vi o moleque Manoelzinho descendo a ladeira nesse frio congelante e inventivo... Menino sem casaco, sem uma calça quente, sem gorro, sem dente, sem família; voa por cima do muro uma coberta de linho (tenho uma nova que ganhei da minha avó), ele pega e se transforma em um casulo gigante – algo pré-históri…