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Mostrando postagens de Setembro 23, 2015

Vem primavera...

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Na fotografia da mente Que a memória revela Com efeitos da primavera Vejo a janela da realidade.
André Anlub
A maça de Idun (André Anlub/Ateu Poeta - 4/8/13)
Bromélias se encheram com as águas E as mágoas se apagaram com as velas. Um pássaro pousou na minha janela, Deixou seu canto e prometeu a primavera.
Prometeu em outras eras Deu conhecimento às quimeras Que dominaram o mundo dos deuses Homens viraram titãs
Já não eram feras em museus de avelã Moderam a maçã de Idun E sem camafeu feneceu a manhã
Os rostos vermelhos de urucum Enleavam-se com imensos vulcões Resolvendo de antemão as futuras equações.

Boa notícia

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Alfarrábios – folhosos – calhamaços – opúsculos 
os nomes podem até parecer indigestos
mas degusta-los nos sacia de conhecimento...
Excelente digestão.

As minhas mais longas retóricas
são os amores que carrego na alma
afunilam na mão e na boca 
e despontam pelos meus dedos trêmulos
e minha língua inquieta.

Boa notícia
(André Anlub - 10/04/13)


A boa notícia é que começou a batalha
uma guerra geralmente sem vencedores.
Do marechal ao cabo
todos os soldados
sem quaisquer exceções
são franco-atiradores.

Invadi o campo inimigo
fui render e ser rendido
sem a menor cerimonia
sem medo do sentimento
sem convite, sem umbigo.

Pude ver fatos delirantes
a ternura tem dessas coisas.
Expus o sentimento ao vento
e o vento o levou emprestado.
Chegou a uma alta montanha
ao cume totalmente congelado.

A boa notícia é que descongelou.

O vento o trouxe de volta
mas deixou por lá forte resquício.
A sinceridade e o afeto
a coragem de enfrentar corredeiras
rio abaixo, precipícios.
A coragem fez um homem melhor
mais atento e prestativo
que dá va…

Eu Poesia

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Tronco de cajazeira esculpido e pintado por André Anlub; madeira resistente, dura, pesada, de mais ou menos 150kg, medindo 110cm extensão por 30cm de circunferência. 

Eu poesia       
(André Anlub - 1/5/10)

Não seremos prolixos vamos falar de poesia:
Eu, meu Eu lírico e o alterego se exporão.

Poesia no âmago é cega - um lince
Feia – linda; em sua saída
Abraçada na verve leva contigo tato e emoção.

Poesia pode lhe trair
Atrair – extrair; estimular muitos - ou nenhum;
Ser alento, veneno, somar – subtrair;
Levar aos sonhos, ser foice perversa, vertigem,
Seu “metiê”; ócio - dar ordens, ser forte – obedecer.

Em poemas libertinos
Que quase sempre em linhas tortas,
Ficariam mortos, desatinos, mas comovem plateias
E alcançam destinos.

No arcano que é a poesia, 
Fazemos uma idolatria doentia.

Poesia pode ser menina traidora, menina mentirosa.
Mesmo que na ferida exposta da fossa
Batemos palmas - damos guarida
Damos espaço - nossas almas.