Os vivos corais do mar morto

A ideia vai e vem à paisana, é assim:
Olá, escreva-me, como vai?
Ouço certo do outro lado da muralha
E a imaginação não se esvai
Como um surto atípico...

Não me corta feito navalha,
Nem me beija como o fim.

Reaparecer requer confiança.
É aceitar o dom que foi dado de herança,
Sem nem mesmo querer receber.

Tudo fica mais intenso e brilhante
Quando as barreiras caem.
Pode-se ver, ouvir e sentir - o além.

E quando vem a implacável esperança,
Ponho-me a escrever cada vez mais.

O azar eu nocauteio com certeiro soco no queixo;
A solução está no fundo do mar...
Prendo o fôlego e mergulho até lá,
Mesmo em plena maré cheia.

Pude ver belos corais que fazem desenhos
Que completam os traços nos corpos dos peixes.
Vi o majestoso feixe da luz do sol incidente
Que faz contentes as arraias que se entregam.

Enfim, vou repetindo as dicas
Que venho recebendo na vida.

Adaptar-se é fácil, complexa é a nostalgia!
Principalmente das farras em família,
Das ondas que vi o mar oferecer.

As paixões incompletas estressam,
Surgem, mas não se deixam ver.
Ficam cobertas com o manto da noite
E somem no mais sutil alvorecer.

A lua saiu com frio e tão pálida,
Pensamos que estivesse acamada;
Veio a nós pelo mar
Com seu belo reflexo,
Tremendo, até chegar à praia...
E assim deu-se o beijo.

(André Anlub - 11/6/13)

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