Post Vitam


Post Vitam
(André Anlub - 28/3/13)

É intrusão essa voz na minha cabeça
Repetindo por horas e horas
Em diferentes idiomas.

São crianças, mulheres,
Homens e idosos.
Vozes roucas – vozes loucas
Sussurros e gritos.

Às vezes emudecem,
Mas em curto tempo voltam.

Vozes eufóricas que dizem coisas desconexas...
Falavam de amor,
De entrega;
Falavam de salvação,
Companheirismo,
Tudo que pra mim já estava enterrado.

Criticavam-me – bajulavam-me,
Jogavam rosas e depois pedras.

Por fim, desisti!
Aceitei as vozes e seus conselhos,
Deixei cair minhas máscaras.

Saí do meu ostracismo egoísta,
Fui me arriscar com mais afinco,
Viver mais intensamente
E fincar minha bandeira branca
Em terreno inimigo.

Post vitam...

Caminhando na praia
Com meu bloco de notas,
Rabiscando pensamentos,
Seguindo sentimentos,
Encontrei uma antiga paixão.

Aquela que marca como marcador de gado,
Deixando uma cicatriz impossível de esquecer.

Ela disse estar com saudade
E ter toda a liberdade para um novo começo.
Meu coração já enferrujado
Fez-se novo, jovial,
Fez-se outro...
Heavy metal.

A recomendação do meu ego
Era não se alongar na conversa.
Mas não havia mais máscaras,
Nem amarras, nem pregos,
Tampouco cruz ou pressa.

Procurei dois coqueiros,
Amarrei minha rede,
Saciei minha sede
E me permiti ser feliz...
(mais uma vez).

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