Mais um conto urbano


De repente aquela pessoa 
Que te vê como concorrente,
Se sente envergonhada,
Pois percebe seu desinteresse
Em entrar em tal corrida...
E ela esteve todo esse tempo 
Ao seu lado, parada.

Mais um conto urbano
(André Anlub - 24/11/09)

O pai passa a mão na cabeça
E a mãe chamava de “neném”.

Vinte anos no documento,
Mas doze é o que parece que tem.

A palavra de ordem para vida é:
Não me aborreçam
Não ligava para nada e ninguém.

A palavra de ordem para a farra é:
O que vier na cabeça
Achava-se um despótico no harém.

Já tinha seu próprio carro,
Foi caro e ele não mereceu;

Dos outros gostava de tirar sarro
Respeito não existia, se existiu faleceu.

Na praia puxava seu fumo,
Sem rumo nunca pensou em trabalhar;

Seus pés nunca calçaram um coturno,
Mas a vil arma conseguiu arrumar.

Cometia pequenos assaltos,
Visava pessoas que andavam no asfalto.

Certa vez foi pego em flagrante,
Mas o sol quadrado não viu nem um instante.

Seu pai era um promotor conhecido
E convencido de que nada podia acontecer.

Não sabia com quem seu filho estava envolvido,
Nem imaginava que um dia poderia morrer.

Em certo domingo foram cobrar uma dívida
Ele fez a mala e pegou a estrada.

Não queriam dinheiro, queriam sua vida,
Mas quem pagou foram os pais e a namorada.

É mais um caso que terminou arquivado!

Meses depois o encontraram numa praia,
Um policial o matou por engano.
Morreu numa vala, cravado de bala,
Saiu vida louca e entrou pelo cano.

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