Buraco da agulha


Buraco da agulha
(André Anlub - 3/2/14)

Passou pelo pequeno buraco da agulha,
Como um raro e sensato camelo franzino. 
Deixou ao relento seu ego sozinho
E jogou num bom vento os versos nas ruas.

É no amor, e não há impossível,
No verossímil da batalha à vitória.
Fez de fulgentes momentos, o invisível,
E na equação da paixão, a auréola simplória.

Sim, eu conheço, sei bem dessas fábulas;
Sei qual o seu curso, bons e maus imprevistos.
Falam de alguns vícios, falam de absurdos,
Não provaram na língua o que dizem amargas.

Qual o passo difuso em logradouros de deuses?
O que fez um sol confuso no louro da Nêmesis?

E agora um velho e sábio seguia adiante,
E passou novamente pelo buraco da agulha.
Ficou na agrura, pois não era um camelo...
Ao se olhar no espelho viu somente um gigante.

Quando o sentir der as caras, 
sorrimos para o vento quente que passa: 
o amor faz derreter as geleiras 
e a alma torna-se mais clara.

Por amor tudo faço
(nada laço - nada penso)
E tudo posso.
O amor é assim...
Chega e me cerca, aperta e acerta,
O que já seria certo no cerne.

Na geografia do teu corpo passo o mais ardente compasso; 
a cada traço uma fronteira ultrapasso; 
ao findar o que faço, limpo toda a sua tez 
e faço tudo outra vez.

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