Ótimo final de tarde...


Olheiros (2/4/14)

Em ziguezague, cá e lá, tantos olhos nus aguardando a ponta do sol que vai nascer num mote distante... de um lugar nenhum... não importa! Como sossegos que assustam morcegos escondidos em cavernas, companheiros dos sentimentos tímidos; alma cálida daquela paixão nada passageira, derramando na veia, demudando o que corre no corpo. Da sola do pé ao topo: vinho tinto - vinho do Porto. Saboreia. Seu lugar à mesa não está vazio, é seu disponível - é seu abrigo. Inimigo e amigo do seu espírito, em plena consciência da compaixão... humildade. Venha fartar-se tão breve, nessa mesa ou naquela, na panela de quem se atreve. Venha sentar-se tão logo, nesse ou naquele colo, ou no solo frio do chão.
As torradas estão prontas, saltam da torradeira na hora exata de derreter; a manteiga; o aroma intenso do inexperiente mel, espalha-se pela mesa, junto com as tintas de um novo artista que os olheiros cobiçam.

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