Sopro


Sopro

Fica tão óbvio...
Mas por que não falar de amor?
Mesmo o ópio que entorpece,
Que se lembra; que se esquece...
Faz do momento um próprio vício
De eternidade.

Fica tão certo...
Quanto o martelo que acerta o prego 
Na construção da casa.
O extremo fogo que queima a casa
Na maldição do tempo que deixa as cinzas
Ao vento...

O ontem que já foi...
Correu ligeiro;
Como já foi o que o ontem alimentou...

Hoje resta a fome de hoje;
Fica tão hoje o desejo
De repetir o que passou.

Fica tão perto...
Na criança que desce o escorrega,
Calhando em segundos – sua alegria;
São elas, absurdamente elas...

E homens correm suas vidas
Essas – que não tiveram;
Correm, correm e correm.

Por fim brincam, choram,
Nunca alcançam...
E seguem bem-aventurados 
Na utopia.

André Anlub
(13/5/16)

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