O ser notívago

Essa metafórica escuridão
Saiu do incoerente ostracismo,
Viu a luz do dia e subiu
Até a nuvem mais supina;
Fez vigília
Até que do nada resolveu
Tornar-se arco-íris.

O ser notívago
(André Anlub - 22/8/11)

Avenidas vazias,
Mãos e contramãos de molambos.

Pelos mausoléus de fantasmas,
Passam colecionadores de isqueiros inúteis:
- catando lixos e latas e vidas ocas.

Sem pressa, arrastando corrente,
Levando seu corpo moribundo.
Andam se esquivando de nada
E balançando ao vento.

Ao som de motores noturnos
E a luz dos postes e faróis
Que muitas vezes os remetem
À uma vida de festas...

De uma existência regada a drogas
Que foram trocadas por alento e sexo.

Expectativas são contratempos de eras
E momentos que não passam.

Das bocas as mais puras conjecturas,
Dos olhos as bulas de remédios de leituras.

Desenfeitam qualquer paisagem
Enfeiam o que de pior que há.

Na fantasia de um deles:
- um pássaro de bela penugem.

O canto:
- variação de tenor e gênero lírico e sublime delírio.

Com o toque de um panorama
O inverno senta na primeira fila.

Não existem sapatos,
Pisa descalço em uma linda grama verde.

Entre seus farrapos e uma velha esteira
Acabou o artefato, passou a loucura...
Chega enfim o “canto” de uma britadeira.

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