Rumo ao monte

Rumo ao monte

Escoltei o tempo, lado a lado, carne de pescoço de fato.
Fui criar, criei; escrever e ver o que vai dar.
Círculos tornaram-se triângulos; teoria da conspiração?
O velho sendo novo – recriando na absolvição.

Olhos fechados e deixa-se levar pelos ouvidos,
sentimento sequestrado – Síndrome de Estocolmo.
Estou como um velho sábio: abraçando livros.
E os vivos como o diabo gosta: cem perguntas, sem ter como.

As horas são amigas, são teimosas e esportivas;
todos os dias correm lentamente e andam correndo.
Vai um drama, vem um “dream”, ouço um “drum”;
a dama da beleza – dama-da-noite com seu perfume ao vento.

De joelhos faço de coração uma oração ao longe;
vem rebates, vem sons alheios em língua estrangeira azul.
Haverá uma asneira rasteira que deixaremos aos asnos;
há simplicidade suntuosa no grão de areia do monge.

Faz-se maestria, faz-se nada –, de dia ou de noite...
O tempo me escolta, puro e seguro de volta ao invento;
sabendo que normas estão pelo mundo, feito chorume.

Vê-se insistente o sorriso do sol ao morrer do negrume;
livro-me do manto, minto ao lamento e subo ao monte.

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