Ótimo final de tarde aos amigos

“Medo de ser feliz”
Isso não é verossímil,
Pois não existe o invencível.
Se a tristeza persiste,
Me persegue e não desiste...
Ponho meu dedo em riste, 
Pois se é preciso temer algo...
Tenho medo é de ser triste.

Bloquinho de papel de pão
(22/3/14)

Viagens na forma e na cor,
De contornos vê-se a alvura das nuvens 
E o livre leve nacarado da flor.

Esparramando nas entranhas,
Eis entranhas que fulgem:
De paixão e luz tamanhas
Que aqui e ali nomeamos de amor.

Sonhos que voam e pousam num flash,
Longínquas dimensões são transpostas
Nos pífanos porretas do agreste.

Segurando um ínfimo lápis mal apontado,
Com a borracha aos pedaços no outro extremo
- Desenha a clave de sol - escreve um belo soneto
Num papel de pão amarelado.

II
Mesmo que anjos tenham umbigo

Mudei de século, moldei o crédulo
E passei a sonhar com as Valquírias;
Vi um mundo sem máscaras, sem muita diplomacia.
Eis as tardes que caem, afogadas em grandes bacias; 
Eis as mães com suas filhas, fazendo de alvo o profícuo.

Delineei o passado no caso mais que perdido;
Etiquetei os bandidos ao som de música clássica.
Para um espanto em vão, bandeiras viram fogueiras
E as duras madeiras da/de lei amarrotam o nosso irmão.

As fidúcias rasteiras, já velhas, trapos manchados,
Silenciam os zangados servindo de panos de chão.
No auge da contradição
Os ouvidos não ficam entupidos,
Ecoam os belos grunhidos
Do cão são da imaginação.

Eis o século moderno de horizontes pintados
Em pergaminhos eternos e jovens audaciosos e belos:
Nos banquetes e nos sovacos as baguetes.

Haverá um menino e tornar-se-á bem sabido
Verá tudo se repetindo 
(sem dono o umbigo quer briga).

Sorridente, indiferente, alcunha de sobrevivente,
Sentará na praça jogando milhos pras garças 
(o umbigo no meio da barriga)

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