Árvores...


Debaixo da minha árvore

Ao pé da grande jaqueira, ao pé da letra,
Ideias alegres – pernetas –, tal qual saci Pererê.
Sou contador de histórias – voo nos meus mistérios...
Atento que o tempo é o verdadeiro remédio.

Será que não vai chover? 
Quem regará a grande jaqueira?

Nada de tempo fechado, nada de nuvens escuras;
O conto que eu conto, que conta aventuras...
Não há chuvas no meu entender.

Abrirei um parágrafo que caiba uma pequena tempestade,
Para alegrar minha árvore e satisfazer todo o verde,
Incluindo o meu flerte que se faz de enfeite ao transparecer.

E caem as águas da chuva, 
agitando as folhas que parecem dizer “sim”; 
molham meu corpo e meus aforismos; 
molham as escritas: poesias e prosas... 
regam as rosas do jardim do viver.

Árvore de Josué

Isolado no deserto, na sombra da grande árvore de Josué
Escrevo alguns singelos rabiscos líricos
Com o pensamento em nossa casa, lá, distante
Em nossos cães correndo, deselegantes...
Vindo de encontro a você.

Por um instante a alma estacionada aqui se eleva
- Não há treva nem angústia
Sinto meu corpo acompanhando
Por dentro de memórias e histórias sublimes.

Sentindo o belo em todos e em tudo
Caminhando na chuva por cima de um arco-íris sem cor
Surdo para qualquer som absurdo
Um banho de chuva e de glória.

Estou no alto e vejo-me pequenino sentado
Estendo as mãos e solto um dilúvio de letras 
Estas se unem formando versos
Eles se casam como uma bola de neve
Banham meu corpo deixando-me ainda mais extasiado.

São dois de mim que se completam
Ilustrei para expor como me sinto
Um porre de absinto de inspiração
Banho de chuva, seiva suave, 
- que salva a todos – no tudo, 
no corpo, no verão.

André Anlub®

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