Fábulas dos Piratas


Fábula dos Piratas Parte II
Corsário sem rumo

No seu sorriso mais doce
Dá-me o sonhar acordado
Nau agridoce ancorada
No porto seguro de um réu.

O cerne mais íntimo partilhado
Como alado cavalo ao vento
Coice pra longe o tormento
Traz na crina o loiro do mel.

Mil flores a pulsar na razão
Vil dor e jamais compunção
Cem cores permeiam na libido 
Sem rumo nem rum no tonel.

Pirata na dádiva do amor
Com a bússola do autêntico anseio
Nem proa, nem popa, nem meio
Voando em direção ao seu céu.

Fábula dos Piratas Parte III
Mar é moradia

Avança por mares revoltos
Reafirma sua total identidade
Navegador guerreiro, punhal nos caninos
Amante de tempestades e estorvos
Vento intenso e leme solto.

Olho ímpar e rubro no horizonte
Seguido por gaivotas e morcegos
Pernas magras de carne e cicatriz
No ombro, um incorrigível atroz falante.

Um náufrago o observa com ansiedade
Faz moradia numa ilha equidistante
Deu-lhe um susto farta bandeira de caveira
Sepultou sua esperança de três anos.

A solidão é uma amiga em comum
Veio a coragem de acender uma fogueira
E na fumaça o pirata avista a ilha
Dá meia volta, pois o mar é moradia.

Fábula dos Piratas Parte IV
Ilha da Prosperidade

Deixou pra amanhã e funcionou – sol nasceu
Dentre as belezas mais raras – lua bela
Acabou com a mesmice, foi além do amor.

Arriscou-se em sacrifícios, 
enfrentou seus pesadelos,
encarou os pecados,
desmotivou a desunião.

Fez um primor de discurso
Quebrou o gelo, calou o berro
No manuscrito da alma
Consertou o leme, ajeitou o curso.

Pra ilha da prosperidade seguiu
Aumentou a tempestade
Multiplicaram-se os ventos fortes
Mais breve foi sua chegada.

Olhem por aí...
Deu certo!
A brisa chegou para refrescá-lo
O pesadelo morreu.

Nasceram os encantos e as poesias
Se for proibido não se cale
Se for legal, conte-nos mais.

André Anlub

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