Ponderações II

Passou pelo pequeno buraco da agulha
como um raro e sensato camelo franzino. 
Deixou ao relento seu ego sozinho
e jogou num bom vento os versos nas ruas.
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O sol abancando assisadono renque das araucárias
surgem as estrelas - velos
no universo, arrepiam
ao fechar da porta do dia.
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O corpo se contorce nas belas curvas do mistério
e meu universo se entorpece em um minuto.
Vejo minha vida, sua verve - seu externo.
Rogo amor eterno e me completo absoluto.
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Nomeada como imperatriz de amores
que ganha de súbito sua coroa, trono e sonhos
e aproximando do súdito
com suas suntuosas flores.
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Noite passada sonhei com poesia
aquele sonho arranjado de calores misteriosos
ao som de uma orquestra as janelas se abriam
e em mil cantorias - pássaros curiosos.
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Nasceu em águas apaixonantes a poesia (disse alguém).
Num cenário emoldurado que consagrou a cria
– entre cantos – entre tantos –
por ironia,um poeta de amor sofria.
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Na tela do cinema da esquina
já se viu esse filme antigo
de um multicor lírico
com tons de pura boemia.
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Correm as águas nervosas e frias
delas, tuas e minhas
na prontidão da montanha.
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A resposta vem com o ar fecundo 
quebrando o coeso silencio
queimando mil brancos lenços
prevendo o fim dos futuros lamentos.
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Abrigo-me com humildade num ninho,
aprendo a voar como águia, 
correr como água
e seguir o meu guia.
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Até mesmo os artistas porcalhões,
Não deixam jamais sua arte de lado.
Preferem lugares com clima úmido,
Para esculpirem melhor suas melecas.
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Lembra? Vale ressaltar...
Até se derramam as tintas,
até se misturam as cores,
até não se pintam amores.
Mas a tinta não pode acabar.
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Delineei o passado
no caso mais que perdido.
Etiquetei os bandidos
ao som de música clássica.
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Haverá um menino e tornar-se-á bem sabido,
verá tudo se repetindo:
Sorridente - indiferente,
e a alcunha de sobrevivente,
sentará feliz lá na praça
jogando milhos às garças.
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Mudei de século,
moldei o crédulo
e passei a sonhar com as Valquírias.
Vi um mundo sem máscaras
sem muita diplomacia.
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No auge da contradição
os ouvidos não ficam entupidos,
ecoam os belos grunhidos,
do cão são da imaginação.
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Na trilha do som e do cheiro, entre outros planejes, já havia o longo tempo de um asilo.
E saiu, enfrentou, nisso e naquilo, foi certeiro.
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O verde vivente evidente,
fez nuance nos raios dourados do sol,
que surgiam e sumiam
ao bailar de folhas,
no cair de sementes,
da jabuticabeira. 

André Anlub

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