[Ponderações IV]


Amizade verdadeira é amor incondicional; 
não há doença, política, vício, idealismo,
serviço ou crença            
que destrua a tal.
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Amo ver-te
nua em sedução
onde passeia minha paixão
que toca tua alma faceira
beleza que tonteia
minha cálida e pálida visão.
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Amor verdadeiro não está no anel e nem todo Coco é Chanel.
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Ando com ideias antigas
de modernizar meus conceitos.
No fundo, são adágios superados...
Há tempos que tenho a teimosia
de querer ser atualizado.
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Anote o código para ingressar na minha alma:
sem bater, sem pegar leve; tudo funciona do seu jeito,
no colossal universo do eterno ou no do breve.
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Ao ver e ouvir um sabiá, ponderei:
Qual outro tamanho encanto
faz minha boca calar-se
acarinhando meus olhos
cantando aos ouvidos
tão doce e frágil
tão inesperado
que voa pelos quatro ventos
e pousa sem alarde
conquistando os corações?
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Ao ver teu choro
da fumaça danada
senti-me com uma facada
uma dor aguda nos ossos
na alma e no peito.
Nos olhos as pupilas dilatam
e na lata, o vermelhidão do sem jeito.
Pela carência do ar da armada
e a dúbia imposição do respeito.
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Aquela fragrância de nova vida,
Da porta aberta do viveiro,
Batia nos orifícios do nariz; como coisa boa...
Fubá fresquinho, coco queimado, doce broa...
Acompanhada por um manacá-de-cheiro.
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Aquela pétala que cai
Pedaço de flor que se banha
Maravilhada por agora molhada
Mistura-se a água de um tempo
Some com o rio que rouba.
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As emoções são rústicos vigias
que transitam pelas alamedas vazias
passando pelos tugúrios de pedras
com suas luminosas lamparinas.
O lume dos candeeiros
divide com o vigia e o amor
por dentro dos muitos nevoeiros
todo seu sincero fulgor.
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As minhas mais longas retóricas
são os amores que carrego na alma
afunilam na mão e na boca
e despontam pelos meus dedos trêmulos
e minha língua inquieta.
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As navalhas dos erros fazem cortes diversos
uns profundos, outros não; uns cicatrizam logo, outros não.
Há pessoas que tem o talento nato
de afiar as navalhas e lamentar depois.
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As paixões incompletas estressam
surgem, mas não se deixam ver
ficam cobertas com o manto da noite
e somem no mais sútil alvorecer.
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As pegadas são honestas
prolixas, mas reais.
Nas folias que me aceitei de palhaço
no meu coração ficaram dois traços
um xis de açúcar e sal.
Já foi, é ou será cedo
assumindo tal culpa, nesse sol nascendo.
Admito: estou envergonhado
e avermelhado com tamanha beleza.
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Às vezes felicidade está no ar
Tem que se expor
Sair pra procura
Da brisa ou chuva
Abraço ou sorriso
Festejo ou repouso
Silêncio ou música
Ou simplesmente
Deixar que ela o ache.

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