Ponderações V

Às vezes queremos tanto pertencer a tal coisa
estar dentro de um certo universo
que não percebemos que a porta abre para fora
e teimamos em empurrá-la.
Quando bastava apenas recuar um pouco
para a porta se abrir facilmente.
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Através do olho mágico da vida vejo o amor que mais uma vez bate à porta do meu coração. 
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Aves que voam no além-mar
Sentindo a salinidade existente
Liberdade de tocar a epiderme da vida.
Aves migratórias de voos extensos
Atravessam continentes com suas asas enérgicas
A brisa é sua amiga e confidente
O homem aqui embaixo
Plantado!
Confinado na inveja.
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Avise-me quando tiver um tempo,
Caso eu não esteja, por favor, deixe recado.
Passo por maus bocados sem a menor notícia sua,
Vivo um grande tormento olhando os velhos retratos.
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Brinco - choro - rio
enxoto pra longe a morte
e com sorte ela vai e não volta
impossível é perder o meu brio
queria mesmo ver o mundo
cicatrizando os seus cortes.
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Brisa que abre o portão
Vem do vai e vem das ondas
Ultrapassando o varal
Acalentando as roupas.
Moveu o barco pesqueiro
Mudou de lugar uma duna
Fez levitar uma pluma
Dispersou o nevoeiro.
Brisa gélida de inverno
Alegrou o dente de leão
Soprou ao rosto
Encheu o pulmão
E nas manhãs corriqueiras
Espalhou o aroma do pão.
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Bromélias se encheram com as águas
E as mágoas se apagaram com as velas.
Um pássaro pousou na minha janela,
Deixou seu canto e prometeu primavera.
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Brotaram no desabrochar dos lindos campos, suas essências...
Deixadas como folhas em vendavais, voando, vagando, sem destino;
por entre pensamentos - como mãos que tocam almas - fazem de harpas sons siderais.
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Brumas sobre águas do charco
confuso sem remos nem barco
coração aturdido.
Te aceito amor repentino
o deixo colher-me maduro
na macieira do paraíso.
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Em nosso caminhar...
Cada passo é sombra verdadeira,
Cada selva é clarão e clareira.
No azeite dos anjos,
Que desce pelos ombros.
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Camélias brancas que transbordam a paz
Embelezam na alma os jardins de consensos
Das tolerâncias os incensos mais doces
Afogando os rancores em um amor mais intenso.
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Caminhamos como poetas novos
largando a soberba, o estorvo
no fluxo de um novo povo
nosso suor que não amarga.
O alvo é claramente certo
de peito escancaradamente aberto
o coração de um bardo
onde o esquecimento é adaga.
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Com afinco me afogo em afagos
Canto meu amor aos quatro cantos
Otimismo e paixão me confortam
A candura constrói nosso castelo
A fidelidade faz a guarda na porta.
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Com medo de se equivocar vê o absurdo da vida,
mas não quer pensar que é real....
E quando vê que é real... Acha um equivocado absurdo.
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Com o teu dom de escrever
tens um pacto:
- necessidade de expor sentimentos
vomitar teus momentos
teus tons, tuas lágrimas e sinas
sair da rotina de um ser intacto.
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Com três palitos de dente se joga um xadrez psicológico
de deixar Freud confuso e Confúcio fã de Pink Floyd.
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Conduzir a vida é difícil
tem que haver paixão.
Vou contra o que alguns proferem
discordo da alocução em voga.
Tudo entorta e nada importa
se não houver no coração
o puro sumo da paixão.
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Curtindo meu tempo, pois o mesmo é curto.
Um absurdo...
Com tudo no mundo e tudo voa ao vento.
Larguei a tristeza
cuspi na grandeza com delicadeza
mostrei o dedo pro desgosto
com muito gosto.
Senti a brisa no rosto
saí pela vida.
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Dançamos mergulhados em sonhos
No gélido baile sagrado
Subimos em nuvens de gloria
Brincamos e esnobamos
O fundo e frio poço da maldade.
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De ínfima palavra é feita o amor
não tem vírgulas
pontos
nem mistério no ar.
Não é soneto
acróstico
trova ou cordel.
Não há essência
engano
acertar ou errar.
Não há contras nem prós
é somente
tão somente
“nós”.
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De repente se viu rei
Mas de nada serviu
Dia e noite acuado
Enterra sua liberdade
Em terra afogado
Quando o real vira pérfido
Do amor falsificado
Paixão é cadafalso
A forca é a realidade.
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De repente você não é diferente
Só não teve a chance de demonstrar ser igual.
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De toda a imensidão do planeta
só quero estar nesse mar belo
de Iemanjá, Iracema, Otelo.
Mar de perfeitos sonhos
folclores, tesouros e viços
dos nautas, vikings, corsários
navegadores fenícios.
Mar de amores lendários
imaginários, antigos
concretos, ambíguos
de interminável poesia
que em toda alma habita.
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De um lado o chinelo velho procurando um pé descalço,
de outro um pé calçado ansiando liberdade.

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