Ponderações VI

De uma forma deveras palpável
a grafia renasce no arcabouço
vindo de uma sensação mutável
tornando-se finalizada ante o esboço.
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Deitado em uma cama de vime
Ou de pés bem calçados no chão
Pensa que sabe o que é fome
Cometendo o pior dos crimes:
“ingratidão”.
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Deixe o mistério ser sua sombra,
verso amigo, pleno e sobra.
Ninguém nunca saberá tudo,
tampouco um pouco que seja,
sobre a magnificência da obra.
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Dê-me seu melhor sorriso
Aquele intenso, meio sincero
Todo lero, mero siso
Que mexe com meu brio
Benevolente, incandescente
Que eu admiro.
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Dentro e fora do nada prático homem apático
um específico sentimento colossal abrolhou.
Abrigou a cautela num juízo lunático básico
cingindo o corpo e tocando o amor.
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Descobre-se o interior da pessoa pelas ações
pelo gigantismo da bondade.
A inteligência e criatividade
são como chaves.
As lidas e desafios
são portas.
Às vezes de madeira
às vezes de aço.
Muitas são estreitas
sem espaço.
Temos que ser flexíveis
afáveis
quase fluidos.
Pois são sempre as mesmas trancas.
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Desgarrou-se a ovelha negra do rebanho,
Conseguindo a liberdade,
Desfrutando do assanho.
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Tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora.
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Deslumbro-me vendo o sol nascer no mar e se pôr nos campos
mas também pode ser o oposto.
Pensando bem...
de outras formas também acho majestoso.
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Despertei do pesadelo
Volúpia e ilusão
Depurei-me no banho
Segui o rebanho
Com fidedigno esmero
Roma com beijo de Nero
Clamei por satisfação.
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Devemos aprender de antemão
com as experiências no contínuo caminhar.
Desvendamos nossos mistérios e fronteiras
mesmo que o sangue fique gélido com a solidão.
Quando o sentir der as caras
sorrimos pro vento quente que passa.
O amor faz derreter as geleiras
e a alma torna-se mais clara.
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Domingo de lábia ou grito,
na cruz ou no bingo?
Que nada, que sina,
esse é sol, praia ou piscina.
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E agora deixo a sorte
Ir tomando posse, assim,
Aos poucos.
Vejo a felicidade
Surgindo sublime,
Como eu sonho que
Deveria ser...
Destinada a todos.
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E aquela velha inocência descabida? Deixe-a ir,
Ela já estava sufocada com sua maturidade,
Com seu desenvolvimento e sucesso,
Com o balé dos estorninhos.
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As gaiolas se abriram, voam os pássaros rumo à vida.
Falham as bombas e pombas de branco se pintam.
O mundo esquece seu eixo, gira em toda direção...
Pira sem nenhum desleixo, sem a menor ambição.
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É com você meu excesso
cada rima faz a lima que esculpe
cada lume é o grito na ideia.
A sina e a saudade tomam a forma que apetece
o blá, blá, blá de normas e métricas
já tarde falece.
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E disse alguém antes de pular no abismo:
Devia ter esmiuçado o conhecimento
Lido e feito o que tem idoneidade
Jamais ter aceitado ditos e modismos
Valorizado muito mais a lealdade
Voado e me banhado em todas as chuvas e ventos.
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E eu achando que já sabia o bastante,
Nem dois por cento, reprovado!
Bebi pimenta feito água, mas ela acabou mofada,
Com minha amargura, minha língua ácida.
Agora a solução é poesia, tornar-me invisível,
Voar pro nada e me abdicar das práticas dos enamorados.
Minha Fênix não renasce, ela nem ao menos morreu...
Está agora em uma gaiola, sem escrita, sem perdão.
Seu destino é incerto e a cada dia mais perto,
De virar um saboroso ensopado.
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E há o doce momento,
uma dentada na fruta,
a amada desfrutada.
A tonalidade da vida,
nos botões das flores
e nos de liga e desliga.
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É no embalo do calor humano, 
arte que grita no urbano. 
Salto das classes que falam aos ouvidos, 
destemidos artistas do azul infinito...
É de sal e saudade, de real e sonho,esperança e destino.
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É, sou impostor vivente,
Fantasioso e sensível.
Pinto com aquarela a imagem de um deus no céu,
Escrevo no papel minha quimera de um ser imbatível.
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É sempre bom recordarmos
Que muitas coisas que temos
As mais valiosas
Carregamos sempre
Mesmo quando estamos nus.

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