Ponderações VII

Todos temos no corpo, mente e no espírito,
um pouco de Anne Frank,
basta colocá-la para fora... arrisque, escreva!
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Vejo inúmeras aves,
Passam os dias rondando a região,
Mesmo havendo comida suficiente.
Pois pássaros que vem e que passam,
Também são pássaros que ficam.
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Tenho quase uma "obrigação"
de acreditar em uma força superior...
Pois, pelo contrário
em quem eu colocaria o mérito
de toda a sorte que tive e tenho
na minha vida?
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Tenho um caso extraconjugal
com o Outono.
Mas não contem pro verão
ele esquenta à toa
e é deveras ciumento.
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Tenho seus poemas tatuados para meu longo conforto,
Ás vezes os leio a esmo, desmanchando possível mácula.
Dentro de uma garrafa de fino gargalo torto,
Com as letras distorcidas que renasceram de um cálido aborto,
Leio um romance barato que se tornou simpática fábula.
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Mora em frente ao lago
Cercado de montanhas
Cheio de pássaros
Com árvores frutíferas
Mas...
Devido à cegueira interior
Persiste no erro crasso
Só nota os morcegos à noite.
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Entro no seu “eu” mais íntimo
Descubro sua carícia preferida
Suas orações proferidas
Seus gestos, seus sexos
Seu ritmo.
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Encontra-se num orbe longínquo
meu ego prófugo e inútil
degredado pela poesia
encalçado pela humildade
pois sendo maior de idade
bateu em retirada
ferido e cansado da vida.
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Engatinho na escrita e na arte
feito criança sapeca, levada;
Vou de encontro ao bolo ou a bola,
entro de sola,
mergulho no sonho,
totalmente cego e sem ego,
sem pretensão de ser nada.
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Era um sujeito de tão extrema incoerência
que mesmo quando bateu as botas
ressuscitou para se dizer ateu.
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Escrever é expressão, é dar pressão e se exceder;
É no viver, levar o mesmo com mais emoção.
Aos que temem a caneta
que fiquem imbuídos de lançar a flecha
e terão a certeza de acertar, pelo menos, um coração.
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Estou convencido
Não há nada melhor que amar
Nem mesmo ser amado! 
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Estou exausto
Feito cão em fim de passeio,
Com a língua pra fora
E o coração festeiro.
Eu em plena liberdade,
Tenho um letreiro na testa,
Escrito que o sexo é festa
E o amor finalidade.
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Estouram paixões sempre aludidas,
cantam canções, danças nas chuvas.
No certo e no cerco um céu de saídas,
arte que inspira expurgando áureas turvas.
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Esvazie-me – preencha-me
conheça o verso e o avesso,
rima após rima,
sabe que deixo!
E depois,
ao acordar sozinha,
vá viver se estou na esquina.
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Eu já sei,
E meu grito ecoa.
Ah, na boa,
Parei com os versos – mentira.
Por ironia, versei.
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Eu poderia amar-te mais do que tudo no mundo...
mas isso seria uma enorme redundância.

André Anlub

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