vivos corais do mar morto

Os vivos corais do mar morto (haja hermenêutica)

A ideia vai e vem à paisana, ouço certo do outro lado da muralha e a imaginação não se esvai como um surto atípico; não me corta feito navalha nem me beija como o fim. Reaparecer requer confiança, é aceitar o dom que foi dado de herança sem nem mesmo querer receber. Tudo fica mais intenso e brilhante quando as barreiras caem; pode-se ver, ouvir e sentir o além, e quando vem a implacável esperança, ponho-me a escrever cada vez mais. O azar eu nocauteio com certeiro soco no queixo; a solução está no fundo do mar: prendo o fôlego e mergulho até lá, mesmo em plena maré cheia. Pude ver belos corais que fazem desenhos que completam os traços nos corpos dos peixes. O feixe da luz do sol incidente faz contentes as arraias que se entregam. Enfim, vou repetindo as dicas que venho recebendo na vida. Adaptar-se é fácil, complexa é a nostalgia; principalmente das farras em família, das ondas que vi o mar oferecer. As paixões incompletas estressam, surgem, mas não se deixam ver; ficam cobertas com o manto da noite e somem no mais sutil alvorecer. Minha candura ‘cascuda’ e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça; pinto-me, perco-me e podo-me, moro em mim, mas costumo fugir de casa; tenho verve frenética em combustão instantânea. Sou um otimista sem utopia e um pessimista sem depressão. Prezo compreensão, perdão, amor; tenho a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina.

André Anlub

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