Dos medos


Dos medos (10/11/16)

O medo vem alado, de um lado ingrato,
Passa em frente, sorri, dá de ombros e vai. 

O medo é bastante miolo mole, 
Massivo, mesquinho, marrento, mudo, matuto;
Desconfia confiando e confinado desafia.

Alguém sente na carne o próprio medo,
Mas o conhece, o precede e o domina... 

Pintaram um quadro com tulipas, girassóis e jasmins. 
Oi, quem é o pintor? 
Quem está sentado em um belo trono lá no alto,
Além das nuvens do silêncio da paz?

Oi, é o velho novo,
O homem sabe-tudo, que sabe que tudo sabe, 
De pecados, virtudes, alma, osso e carne, 
De coração bom e empatia extrema.
Cadê a trema de “ambiguidade”?

Sinto-me protegido na armadura amiga, 
Com escudo contra o escuro
E o faro contra o falso claro.
Cadê o que treme pela iniquidade? 

Medo...
Acharam a cura para aquela certeza que ainda não é tão certa; 
Acharam a rua que dará na sua casa de pronta porta aberta. 

Há convites para as festas,
Festejos de ouvintes que falam pouco,
Mas que os ouvidos são todos abertos
E antagônicas bocas quietas...
Por um medo maior de se expor aos outros. 

Já se entende que a mentira é complemento da realidade,
Deixando-a ilustrada, lustrada, iluminada, laminada...
Totalmente real,
Sem medo, 
Sem régua, 
Sem trégua,
Quase uma beldade...

Mesmo que na veemência dessa ocorrência,
Em toda refeição e sobremesa,
Isso não tenha importância, aparência,
Tampouco um pingo de verdade.

André Anlub®

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