Diamantes de sangue


Diamantes de sangue (14/3/10)

Como um presente esperado
Nas mãos, aquecidas com luvas;
Estendidas e espalmadas,
Lisas e leves como plumas.

Alcançam um inferno estrelado,
Abafam gemidos e gritos de dor;
Que, por fim, pensam que tocam o amor.

Coroam um rei e seu reinado
Ouvindo o mais terrível louvor.

Diamantes vindos da África,
De suor, de sal e sangue,
São pedras (a saga de uma gangue)
Que alimentam com a fome sua máfia.

O povo com humildade e inanição,
Comete em si próprio eutanásia;
Perde o orgulho para a ambição.

Não vê que de certas bocas saem falácias
E anda por pura vontade na contramão.

E assim, mais uma vez explorado,
Sem arma, comida e força,
Um continente que o contente ficou atolado
Tem o tamanho, a dimensão, da sua forca!

André Anlub

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