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Mostrando postagens de Janeiro 4, 2016
QUANDO NÃO ADIANTA EXPLICAR

Há cerca de uns trinta anos atrás, meu irmão estava em seu ateliê pintando um quadro e eu em volta, curtindo o ambiente e o bom papo. De repente ele se irritou e soltou uns palavrões. Ué, o que foi, perguntei. Essa nuvem aqui, ele apontou. O que tem ela, eu quis saber. O que ele respondeu me serve até hoje como alegoria para enquadrar determinadas situações: Se tu não consegues ver, não adianta te explicar.
ROGÉRIO CAMARGO

Na violência do fluxo e da força

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Na violência do fluxo e da força
(inspirado no livro 'violência' de Slavoj Žižek)

Nunca mais tive amor por ninguém, 
Mas falo de amor mesmo – aquela paixão de amor, 
Mão suada, pensamento obsessivo, 
Viver sonhador em voos corriqueiros... 
Quase um pesadelo bom, bom horror;

Por diversas pessoas tenho afeições inquietantes e derradeiras,
Tenho apegos, mil admirações, contemplações, tesões e besteiras...
Mas não é amor;

Não quero que pareça justificativa,
Querer ficar bem na fita, 
Mostrar-me sempre feliz...

Mas de que adianta fugir? 
Pois até a não justificativa existe, 
Mas não condiz.

Amor mesmo, de verdade, só tive um;
Foi soberbo e sombrio, 
Maltrapilho e massacrante...
Amor de decepção abissal e humilhante:
Cadafalso – emudecendo-me os lábios – calafrio...

Tal qual aquele filho desgarrado,
Que passa a infância e a juventude contemplado,
Vendo ao espelho do mundo e do quarto
Traços parecidos com seus pais: 

Aquele jeito de olhar da sua mãe, 
Os olhos, sorriso, o mudo,
Aquela pequena aptidão por tudo.…