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Mostrando postagens de Fevereiro 26, 2016
NOVOS SATURNOS

Foi descoberto fora do sistema solar um planeta duzentas vezes maior que Saturno. Nada sei sobre a reação dos descobridores e seus entusiasmados comparsas, mas não me é difícil visualizar a excitação. Infantil excitação. Para além deste, devem existir trobilhões de planetas corvilhões de vezes maiores do que Saturno. E daí? No que é que isso muda a nossa infelicidade, a nossa ignorância de nós mesmos, a total inconsciência do que acontece em nossos porões infectados de maus entendimentos a nosso respeito, a respeito dos outros e a respeito da vida? Dizem que os cientistas conhecem menos do fundo de nossos mares terrestres do que já sabem sobre o Espaço. Não tenho também como confirmar, repito de orelhada. Mas não preciso fazer nenhum esforço de ceticismo ou de descrença para ter bem presente o fato de que, se soubessem “tudo” a respeito do fundo de nossos oceanos, eles continuariam sabendo bem pouco sobre si mesmos. Pela simples razão de que não voltam seus olhares para…

Vi seu rosto no papel

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Vi seu rosto no papel
(André Anlub - 13/5/13)

Ela acabou de abrir os olhos
Em dúvida se foi sonho ou delírio...

Em meio a nuvens e cordilheiras
Cavalgava em um corcel negro de fogo,
Num arco-íris de sossego,
Cercada de lírios
Em algum lugar do globo.

Sentia nas entranhas o desejo queimar
Como se engolisse uma brasa,
Que aquecia intensamente a quimera,
Elevando-a acima do mar.

No ar, lá estava...
No ar.

Seu corpo de carne e osso,
Como se fosse feita de vento,
Lava, livre, leve,
Sem destino ou martírio,
Sem necessitar de resguardo.

O bloqueio havia acabado,
Aperte o cinto e decole
Para o mundo só seu,
No absoluto apogeu do desconhecido.

Talvez agora possa se encontrar,
Demitindo a tristeza por justa causa,
Pouco importa se for sonho ou real,
Transpondo o sentimento pro transbordo
Da escrita, viciante, sobrenatural.