Postagens

Mostrando postagens de Abril 26, 2016

O HOMEM, AS VIAGENS

Imagem
O HOMEM, AS VIAGENS
Carlos Drummond de Andrade

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.

Falando em chá...

Imagem
Chá de Sumiço (música feita em 2006)
Estou vendo lá, ao longe Um micro umbigo abominável Pensa ser deus ou um monge Mas nem sequer é palpável!
Aos que amam poesia, desejo saúde. Aos que criam a melodia, plenitude.
Na inquietude da melancolia... Que se cala diante da inspiração Coloca-se a mão e dá-se o grito de alerta... Constrói-se uma Taba.
Para quem não gosta de nada disso... É chouriço, chá de sumiço...  Ou vá à merda!
Aos que amam poesia, desejo saúde. Aos que criam a melodia, plenitude.
Na verdade pronunciada, pré núpcias anuncia o pé na estrada: Esteve em estada completa, na campana da cabana da mata... Morre ou mata... Ou vá à guerra; ou vá à farra.
Filha chave de cadeia Tomou chá de sumiço Experimentou um chouriço. A mãe há nove meses... Com o compromisso Toma chá de cadeira.
Desejo saúde, aos que criam a melodia; Desejo plenitude, aos que amam poesia.
André Anlub®