Postagens

Mostrando postagens de Agosto 14, 2016

Caixa preta

Caixa preta

Saboreio cada gesto como se fosse o último,
tento adivinhar o manifesto do seu pensamento
como se fosse o primeiro, como se fosse justo.
Nada é em vão.

A sua corrente quente me ajuda a nadar,
fico mais confortável e feliz.
Aquela força resistente me diz:
Atravesse o oceano e me beija.

Pelejas amigas, cantigas antigas,
caem bem, são bem recebidas.
Paixões passadas, cicatrizes fechadas,
caem bem, na caixa preta trancada.

Pela manhã molho o rosto e constato minha sorte,
perdi há tempos a necessidade de encenar.
A barba branca, o cabelo ralo
e da vivência o aguçado faro
- o voo mais acertado.

Limpo a poeira da caixa,
às vezes passo um verniz,
mas não abro.

O nosso presente já é tudo que me chega,
me cega e me cerca, fazendo coerente o amor.
Já não acolho vozes externas, demagogias,
orgias de picuinhas, não mais.

Enfim você chegou,
está ardendo àquela prometida fogueira,
com panos - papéis inúteis,
quilos de baboseiras...
E a velha caixa queimou.

André Anlub®
(9/9/13)

Ótima tarde de Domingo

Imagem
"Perdemos, na madrugada deste sábado (13), uma referência nas artes plásticas e um amigo muito querido: Giuseppe Baccaro. Homem de grande talento e fortes convicções a respeito da importância da arte para a formação do povo e da necessidade de popularização do acesso a tudo de bom e bonito que tem sido produzido no mundo. Um dia triste, certamente. Muito embora saibamos que sua arte e seu trabalho não são finitos — ao contrário, se perpetuarão pela qualidade e importância no contexto das artes no Brasil — sentiremos falta das conversas, da troca de ideias, do acolhimento e da parceria na luta pelo bem comum e pelo melhor para Olinda e para o Brasil. Aos filhos, esposa, familiares e amigos, meu abraço fraterno e solidário.

Luciana Santos, deputada federal e presidenta nacional do PCdoB
Foto: Virgínia Ramos"

Não, não é escrever poesia! É desenhar sentimentos.

Imagem
Animal do bem e o tal

São animais indiscretos e contemplativos
na mansidão imaginária e cada vez mais.
No hipotético paraíso na zona de conforto
vão chegando, vão vivendo outros desafios
pés que não cansam de andar fora dos trilhos.

Vê-se os trilhos do bonde
no pé das frutas do conde
no entorno do misto dos milhos
com as doces e tortas espigas
do conde de monte cristo.

Na ré do trépido bonde
tudo trepida e o vinho vai longe
entorna, esguicha e mancha
a roupa de linho da moça
que o pranto fez poça
a olhos vistos.

São animais de cegos charmes
e quase sempre atrapalhados.
Na obsessão que alguém os agarre
salvando-os do fortuito afogamento
dos salgados e amargos mares.

São animais como nós
com nós nas vis ventas
que inventam o ar atroz
logo após se lamentam.

André Anlub®
(28/05/13)