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Mostrando postagens de Setembro 27, 2016

Dueto CXLIX

Dueto CXLIX

Vejo-te diante das flores e não sei mais quem é quem. E nem importa.
Mesmo que importasse, não importaria. Mesmo que soubesse, não saberia: há sempre algo além do quem é quem.
Este amor teu me faz menino; me nina, me guia e orien-ta o meu olhar à tua formosura e para o que há de formoso no mundo.
Vejo as flores diante de ti e não contenho a onda de ter-nura. Nela surfa meu coração encantado.
Certo que às vezes revivendo o passado crio um presen-te paralelo, um mundo ainda mais belo caso escolhesse por outro caminho. Seria então um egocêntrico ainda mais feliz.
Tu ris disso, às vezes. E às vezes gargalhas disso. Mas agora não. Agora me olhas como se quisesses adivinhar o que adivinho.
Tu choras comigo, quase sempre, para me fazer compa-nhia. Sei que de nenhuma melancolia é composto teu ser.
Eu também choro comigo. Mas é por não ver o que sei estar lá, contigo e com as flores que são tu o tempo todo em meu jardim de angústias.
Quero viver tempos de dança e de bajulo com a vida, pois …