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Mostrando postagens de Outubro 11, 2016

Um homem, uma mulher, uma criança.

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Dueto da tarde (XLIV)

Um homem, uma mulher, uma criança. O sol no horizonte pensa coisas:
Será que o mar quer desaguar no rio, por que as dunas fogem com o vento, o calor sente remorso do frio? Há felicidade na infelicidade, será que a abelha não quer ser flor, será que a flor não quer ser abelha? 
Uma criança, uma mulher, um homem. O sol no horizonte conclui coisas. Mas fica com as conclusões para si mesmo; não quer entrar em parafuso, não quer ficar confuso, mudar o fuso do seu tempo, tampouco a fase de ser tudo.
Enquanto ele decide suas coisas, as coisas se decidem. Uma mulher, um homem, uma criança diante do sol de um horizonte inteiro descobrem que são de uma linhagem, de uma unção verdadeira, que não morre no final da tarde e não nasce nas manhãs corriqueiras. 
Tomam-se pelas mãos beijadas por este sol, caminham na direção do horizonte, a fronte erguida como para o que não pode ser visto no chão; sentimentos implodem – explodem – eclodem e a lágrima cai nos cantos dos olhos,
Porque um…

Pray for Haiti

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Na pretensão da esperança, com ares de ressurreição, na alegria e na bonança, na arte que se expande em criação. Busca no cerne o que é certo: gosto, saliva, devoção. É relíquia, é procura, de joelhos, minha jura. Tira da face crua a amargura, põe o que lhe é de direito... Na estatua de um santo, na reza em um terreiro, no altar ou outeiro, vale a gota do pranto. 
André Anlub

Politicagem

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Politicagem (Letra originalmente escrita em 2004)

Se liga que vou te contar agora
Como acontece essa triste história:
No lado mais pobre o trabalho árduo
E tem um lado que representa a escória.

Uns morrem de fome numa fila,
Outros compram porcelana;
Uns se perdem da família,
Outros brigam por herança.

É vereador, deputado, senador ou presidente...
E o povo está doente – está sem dente – está demente.

Viver com dividas não é vantagem
Você é quem paga essa politicagem...
Politicagem os babacas e as bobagens (BIS)

Cara de pau, ipê, jacarandá...
Até onde essa zona vai parar.

Para tudo ele tem resposta
Sempre uma proposta, sem jeito, indecorosa.
Sobe em um palanque, um terno, uma gravata,
Com um sorriso preparando a mamata.

Estende as mãos, estende os braços
Diz que se desfaz em pedaços
Para tudo se resolver;
O mundo ficar quadrado,
O inferno congelado,
É só ele prometer.

Já sabem de quem eu falo?
Mas é melhor, eu me calo
Se não, vão me prender.

Vou indo sem rumo e sem graça
Andando por toda praça
Até desaparecer.

Viver …