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Mostrando postagens de Novembro 22, 2016

Caixa preta

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Caixa preta
Saboreio cada gesto como se fosse o último, tento adivinhar o manifesto do seu pensamento como se fosse o primeiro, como se fosse justo. Nada é em vão.
A sua corrente quente me ajuda a nadar, fico mais confortável e feliz. Aquela força resistente me diz: Atravesse o oceano e me beija.
Pelejas amigas, cantigas antigas, caem bem, são bem recebidas. Paixões passadas, cicatrizes fechadas, caem bem, na caixa preta trancada.
Pela manhã molho o rosto e constato minha sorte, perdi há tempos a necessidade de encenar. A barba branca, o cabelo ralo e da vivência o aguçado faro - o voo mais acertado.
Limpo a poeira da caixa, às vezes passo um verniz, mas não abro.
O nosso presente já é tudo que me chega, me cega e me cerca, fazendo coerente o amor. Já não acolho vozes externas, demagogias, orgias de picuinhas, não mais.
Enfim você chegou, está ardendo àquela prometida fogueira, com panos - papéis inúteis, quilos de baboseiras... E a velha caixa queimou.
André Anlub® (9/9/13)