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Mostrando postagens de Dezembro 5, 2016

Nada e tudo

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Nada e tudo

Nada poderá ser dito
Pois coisa alguma mudará o agora...
O concreto é espelho
São olhos verossímeis e diretos.

Nada poderá ser visto
Pois tudo é breu
Qualquer fagulha nesse espaço...
É como vulcão no vácuo
Tamanho sem poder.

Nada poderá ser tocado
Pois se não pode ser visto...
Onde estará?
Absolutamente preto no preto.

De repente alguém saiba o que é para ser dito
Até tocá-lo com delicadas ou nervosas mãos
Quiçá vê-lo nitidamente
Aonde se encaixam o sim e o não.

Mas se estiver no âmago de um buraco negro
Na fantasia de um artista
Ou meramente no amanhã?

André Anlub

Sempre vivo

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Sempre vivo
Precisamos de dias mais longos, cheios de ar, aves; árvores por todos os cantos, cantos açucarando os pesares,
Afagando aos ouvidos.
Ouvi dos sinceros seus sins, som de detalhes. De talhes simplórios, corpos notórios,  felicidade e gemidos.
Precisamos de larga boca e nada oca a mente. Mente aquele que no medo, em segredo, no paladar do azedo,  expõe que não ama e não segue passo à frente.
Por aqui, por ali, o sol nasceu mais vivo, vi você de repente, menos breve e arredio arrepender-se contente.
André Anlub®  (4/11/13)

A voz

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A voz

Finalmente uma tal voz foi escutada
Buscando na verdade o seu alicerce
Na certeza de ouvidos a ouvirem
E pela maioria ser desvendada.

A princípio fez de conta ser coisa ingênua
Para depois elucidar os básicos detalhes
Voz esperta e complexa de gente humilde
Que repassava a realidade de histórias tristes.

A tal voz descongelou de longas datas
Levantando sua bandeira e seus princípios
Perdendo a timidez de ser sempre atada
Enfrentando a indiferença dos inimigos.

Mas a voz não se viu representada
Os que ouviram fingiram indiferença
Perdeu sua crença, achou sua mágoa
Restou o confinamento de manter-se calada.

André Anlub
(5/12/16)

Manancial

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Manancial 

Bebi em fontes de águas puras, outras nem tanto
Ri com os anjos e joguei com as bestas
Coisa besta é não citar meus prantos;
Coisa e tanto é que eu não me envaideça.

Em diversos sonhos banhei-me em cachoeiras
Que iam além dos vales, dos tempos, da verdade.
Minha vaidade não me deixa enfermo, arrependido;
Minha crença ensinou-me o aprendizado desde menino.

Nos inúmeros afluentes que percorri,
Me sequestrei, me sabotei, me socorri;
As memórias fortes de quando fui fraco,
Fizeram meu olhar mais amplo e menos vazio
Me colocando sempre e corretamente nos trilhos.

Manancial que nunca seca, de vida não tão sã,
Fez o que fui, o que sou... fará meu amanhã...
Transformará os destroços em uma nova muralha,
Beijará o meu momento abençoando minha alma.

André Anlub
(5/12/15)

Dueto XV

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A doidice raiando em açoite, Que acalora nessa noite, Com a inspiração no girassol (que dormia)... Fizeram eu, minha 35 mm e minha rebeldia Idealizarmos a noite tornando-se dia
Surto na lua brilhar quão o sol. 
Dueto XV (André Anlub e Rogério Camargo)

Depois que a sombra tomou conta da lua, fazendo-se menina também,
Desenhou um sorriso (lá e cá), e agora almeja ir além.
Depois que a lua mostrou à sombra que era ela e mais ninguém,
Desvendou os mistérios, trouxe a paz que apraz o “porém”.
Estavam as duas como sempre estão as duas quando o mar se acalma,
Ponto de luz cintilando no espelho, desvanecendo o receio de um futuro breu na alma.
Para a imagem de sol que guardava ainda na lembrança, ergueu as mãos, mostrou as palmas,
Sentiu o respeito, o respiro, o silêncio, a saliência e o bendito dos peixes e de todas as finas floras e faunas.
Era um tempo gasto em se mirar nos espelhos das águas mansas e reticentes,
Em ver o próprio rosto sorridente, ver felicidade e futuras pulcras nascentes
Onde reconhecer …