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Mostrando postagens de Dezembro 8, 2016

Da arte

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Imagem: Arte de Poty Lazzarotto - Curitiba/PR
Da arte
Primeiro marquei meu horizonte Em um traço negro em declínio Deixo a inspiração fazer domínio Depois me embriago na fonte.
Pintores são fantoches e fetiches Sobem em nuvens, caem em piches Respiram a mercê de sua cria Bucólicos profetas à revelia.
Tudo podem e nada é temível Nem mesmo perderem o dom Sabem o quão infinito é o tom.
Seus corações de loucos palpitam E no cerne que eles habitam Saem às cores do anseio invisível.
André Anlub®

Grito sustenido

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Grito sustenido

A paixão que é aceita em quaisquer lugares ou formas
No mais raso e no mais fundo
Devidamente preenchido ou oco
Um balde trazendo água limpa, do mais fundo poço.

Em anos que passam, voam
No tic-tac das respirações
No nascimento de novas vidas
Nos leitos dos hospitais
No sexo dos anjos
Ou dos reles mortais
A emoção vai e vem
E fica o etecetera e tal.

Agradeço a chance de tentar novamente
Endurecido coração, mas ainda vivo
Amadurecido, mas ainda brincalhão
Bobo e pirracento.

Com o apoio da lua
Meus olhos de coruja percebem o movimento.
São os amores noturnos, são corações de luz própria
Que se embrenharam no breu soturno.

Com o apoio do sol
Meus olhos não dormem inertes
Passam o dia fitando o futuro
Proseando com a esperança
E jogando charme ao vento.

Tenho a chave da vida
Pelo menos uma delas, pois são milhares
Muitos cadeados, soldas, trancas e grades
Mas tenho uma chave da vida.

Nesse espaço entre o sonho e o real
Armo meu acampamento
Minha vida ao relento, um abrigo
Meu canto no coral do perigo
Minha…

Os cavalos, as tulipas e uma vida

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Tattoo que fiz em 2011 baseada na arte de xilogravura de Antonio Silvino
Os cavalos, as tulipas e uma vida
(Continuação de “se todas as tulipas fossem negras”)

Meu cavalo relinchou por comida
Quer algo esquecido e sem fim.
Quer banquete farto e antigo
Quer minhas loucas iguarias
Pois já está farto de capim.

Meu cavalo veio à minha porta
Nessa torta manhã de domingo.
Ouvi com delicadeza sua clemência
E chorei feito menino.

Mais uma vez só vejo as tulipas negras
E o verão mergulhado no inverno.
O inferno com suas portas abertas
Badalou os sinos
E colocou o capacho de “bem-vindo”.

Mas, minha gente amiga...
Beijo a vida vadia.
Deem-me as mãos, me deem guarida
Não quero ser julgado, é covardia.

Como réu confesso, meu cavalo se vai
Some ao longe, pelo canto da estrada.
Sua estada é sempre trágica
E, como mágica, ressuscita as tulipas.

André Anlub®
(7/6/13)