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Mostrando postagens de Dezembro 14, 2016

Sim, sim..

O olhar direto, mas discreto, belo, hipnotizante
Olhar falante, esperto, jovem, de moça...
Mostrando a alma pura, mostrando a ausência de agrura
Nos olhos fantásticos da raposa.

Já arredei minha veste preta, vou vestir branco, demiti as carpideiras, e com muito pesar darei "tchau" ao querido espaço Orkut; sinto-me muito triste, pois foi por lá que comecei meus primeiros rabiscos "online"... lá vendi muitos livrinhos ‘Poeteideser’ e fiz diversos amigos; muitos deles extravasaram para uma amizade mais perto, cá fora, com mais cheiro de verso e de gente; felizmente pude partilhar das rimas pessoalmente com alguns poetas e amantes das letras também fora das redes sociais e muitos ainda estou para conhecer. Bem, contudo, novas redes sociais vieram e virão, e a nau poética jamais afundará (nem se tacarem fogo em todos os livros e meios de divulgação), pois a poesia é eternizada no universo de cada ser vivo. 
Em tempo: vão-se os papéis, ficam os enredos.

André Anlub

Marcando toca

Marcando touca (5/8/14)

E aquela folha se solta, se livra, se vai com o breve vento,
Se vai com o tempo como a lágrima esquecida no rosto...
Resseca, desaparece, e é esquecida, pois é consequência,
E já foi... num sopro.

O fim aparece e se disfarça de sombra,
Torna-se parte da vida, da caminhada,
Do respiro, do sono, da alegria e da raiva,
E a leva...

E o fim é assim, como um trem errado que se embarca,
Não percebendo o erro ou que não há mais nada a ser feito,
E já foi... num frêmito.

Numa tarde quente de verão,
O Fim decidiu ter um novo começo:
Largou sua labuta, seu fardo,
Sua maleta cheia de agonias e acasos;
Largou suas metas, suas retas que mais pareciam curvas,
Suas negritudes e suas alvuras...

E uma folha que já estava se tornando pó, 
Reconstituiu-se,
Tornou novamente folha seca,
Levantando voo do chão,
Como se voltando no tempo,
Regressou à árvore e encaixou-se no galho,
Ficou amarelada, alaranjada, esverdeada,
A seiva percorrendo seu corpo,
Como sangue novo
E tornou-se novamente moça...

O solo junto c…

boa noite!

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É como caminhar solitário na China

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A resposta vem com o ar fecundo 
Quebrando o coeso silencio
Queimando mil brancos lenços
Prevendo o fim dos futuros lamentos.

É como caminhar solitário na China (3/6/13)

Comumente aparecem terremotos
Que abalam estruturas e enfraquecem terrenos.
Nas raízes das árvores, o lamento.
Nas artérias e veias, o sangue esquenta.

Há guerreiros e fantasmas internos
Munidos de lanças e espadas
Com a cabeça em redemoinhos
E sentimentos em explosão.

Há vidas passando em lembranças
Que surgem ao fechar dos olhos,
Nos quentes lençóis em frias noites
No fingir do embarcar nos sonhos.

As emoções são rústicos vigias
Que transitam pelas alamedas vazias,
Passando pelos tugúrios de pedras
Com suas luminosas lamparinas.

O lume dos candeeiros
Por dentro dos nevoeiros
Divide com o amor seu fulgor.

Sagrada inspiração 
E o real do imaginário
São sombras no caminhar solitário.

André Anlub®

Dueto XXIV

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Em casa é um homem sério, reservado, sisudo beirando o mal-humorado. Na rua é um bobo-alegre, e ri tanto à toa que até engana que sua alma voa.

Dueto XXIV

Claramente a clareza buscava um pouco mais de luz ao esticar a mão e tocar o sol do meio-dia.
Toque quente, gentil e sutil, que transforma o vil na magia/energia da melodia
Em cujos acordes acorda o sonho e se deixa levar como um barco dócil aos ventos, como uma andorinha solta nos ventos,
Tão belo como o rascunho de um milagre e tão encaixado como o beijo da mãe natureza.
Claramente a clareza não queria apenas a si mesma quando buscava um pouco mais de luz para a iluminação que já tinha:
Queria imputar muita claridade ao breu, aposentar de vez a escuridão e, por fim, dizer “não” às tempestades negras.
Era um ideal como qualquer outro, mas era o ideal da clareza. E então seus olhos cegaram de ver
Com a mudança que não poderia haver, pois a escuridão sempre foi/é/será necessária. A falta dela não deixa a clareza viver.

André Anlub e Rogério Ca…

Duetos!

Dueto CX

As mãos do silêncio na face sempre receptiva da ternura
Causando um interno incêndio em entretom de calmaria azul.
A ebulição pacificada abre um espaço no coração da sensibilidade
Faz domicílio, planta árvore de raiz intensa e deixa fluir um rio.
Às margens dele nada é marginal, tudo habita um centro e dentro há luz
E no que trata/retrata a beleza: assombrosamente fenomenal!
Uma arquitetura de bem-estar vai abrindo portas e jane-las no vento,
Deixa entrar no momento o incenso de algo muito além do habitual.
Os olhos procuram sem procurar, as mão buscam sem buscar e a alma dá o que nela abunda: ternura.
Fecha-se o ciclo. As mãos do silêncio abrem-no outra vez e a face sempre receptiva faz sumir as pardas nuvens, surgindo um lume intenso apagando o incêndio, soltando uma gargalhada afável e anulando o laconismo.

André Anlub e Rogério Camargo