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Mostrando postagens de Dezembro 15, 2016

Texto de Marta Medeiros

VENDE-SE TUDO
(Marta Medeiros)

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento.
Outra mãe que estava ao meu lado comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.
Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes.
O resto, eu vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão.
O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite, era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se venden…

Condomínio de inocentes

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Condomínio de inocentes
A coisa mais bela A abelha e sua colmeia A natureza mostrando a cara Muito além das nossas ideias.
Muitas vezes me pergunto Quem criou toda essa graça Tudo cheio de beleza Com tempero de desgraça.
Andamos nos esquivando Sem tempo, sem templo e igreja. Com fé e sem muita certeza Com sonhos que estão voando.
Buscamos o fim da tristeza Violência – maldade.
Vida digna - notoriedade Tudo na absoluta clareza.
Nossos rebentos com segurança Arrebentando as correntes Que os prendem às desesperanças Um condomínio de inocentes.
André Anlub

Nada e tudo (releitura)

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Nada e tudo (releitura) 
Dito e feito: nada poderá ser dito Pois coisa alguma mudará o agora... O concreto é espiga de milho, espelho São olhos verossímeis e diretos.
Feito e dito: nada poderá ser visto Pois tudo é breu, é véu, é ver... Qualquer fagulha nesse espaço É como vulcão no vácuo Tamanho sem poder.
(Des) focado: nada poderá ser tocado Pois se não pode ser vesgo, visto... Onde estará? E se estiver há viço?  Absolutamente preto no preto, ser que te quero ver. 
De repente alguém saiba o que é para ser dito Até tocá-lo com delicadas ou nervosas mãos... Quiçá vê-lo nitidamente, naturalmente... Aonde se encaixam o sim, o som, o são e o não.
Mas se estiver no âmago de um buraco negro? Vê-se navios negreiros sem ninguém no timão. E se estiver então na fantasia de todo artista, Fora de vista ou meramente no dia que inexiste?
André Anlub

Memórias da Guerra

#خاص
شاهد لحظة دخول الجيش السوري وحلفائه وتقدمهم داخل حي الفردوس في #حلبhttps://t.co/cDYMo4NhPS#الاعلام_الحربي_المركزيpic.twitter.com/kJdCdXrgxc — الاعلام الحربي مركزي (@C_Military1) 13 de dezembro de 2016


Memórias da Guerra (Parte I)

Prólogo

Em meio a fumaça cinza com um toque avermelhado
Embaixo de um céu que é testemunha
Vejo ferros retorcidos, destroços
Vejo corações calados, que gritam
Vejo o tempo congelado.

Em meio as ruas esburacadas
Vejo pertences abandonados
Abrigos.

Vejo um rio frio
Rio de cartuchos que tiveram seus projéteis deflagrados
Todos com nomes, um objetivo
Calar um peito inimigo
Um corpo latente a ser alcançado
Silenciando-o
Roubando-lhe sonhos.

Como o corte de uma navalha
Como quem tira o doce de uma criança
Como quem tira o amor e a esperança
Em troca de uma medalha.

Memórias da Guerra (Parte II)

A expansão do mundo Grego

Alexandre III, da Macedônia
Guerreiro, príncipe e rei aos vinte anos
Braço forte, coração valente
Morrer com trinta e três anos não estava nos seus planos.

Foi um conquist…