Dueto XLVII



Dueto XLVII
(Rogerio Camargo e Andre Anlub)

Começou a festa, o batuque aumentou o volume, as dançarinas estavam frenéticas e o tempo ajudou absoluto,
Com suas estrelas firmes, com o céu mais firme que a areia-tablado, com a firmeza da aragem que refrescava as peles,
Com o pulsar do coração do pássaro, com o congelar-descongelar do lago, com o vago inspirar do bardo e seu verso que faz verter a lágrima.
As aves dançavam junto, as nuvens eram rendadas partituras e o som dentro de cada um era um som universal, uni-versando com o bardo num fardo leve e nada breve de um tanto amado dom (que assim o leva até outra dimensão).
Começou a festa que nunca para na sensibilidade em a-las, nas salas e salões amplos como os campos e os mares que o vento beija,
É festa rasteira, mas que voa ao alto; é baderna, bestei-ra, mas coisa ajuizada e mistério, pois eleva a alma sem desprezar o inferno.
Como pode o que não pode caber no que pode? As fitas coloridas girando no corpo nas eletrizadas eletrizantes bailarinas, o som da Vida se apossando de todo o ambiente externo (e interno também), o tempo passando ligeiro (o que é de praxe quando o universo conspira) e tudo que é possível dizer da felicidade cabendo no sorriso da esperança: a de que nunca acabe.

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