De encontro à vida


Se habituar a tudo na vida: flexibilidade;
Se habituar com constância: comodismo. 

A vida é muito curta para entre uma rotina e outra ficarmos preocupados com hábitos rotineiros.

Às vezes vivemos uma vida inteira em uma pequena época.  E ela passa, e acaba, e não volta; então mais tarde se percebe que vivemos felizes uma vida inteira, mas dentro de uma época que se foi.

De encontro à vida (25/1/15)

É, é missão; é, é improviso, concepção, papel e caneta na mão...
Deixem estar, deixem “star” – noite escura e quente de verão;
Vejo as nuvens brancas e cinzas, em degrade – jazem no céu,
Aqui jazo eu, caso continue o branco desse funesto papel.

Há um estalo, sobe pelo ralo o cheiro de uma fragrância estrangeira;
Há frequência, talvez de rádio, talvez aquela vizinha louca indo ao bordel;
Ela vive sozinha, aparando seu Bonsai – (vejo pela janela),
Vez ou outra ela acende uma vela e reza nua em pelo 
– (vejo pelo basculante do banheiro).

Ensaio todos os dias uma conversa (estilo Sartre),
Pode até ser perversa, se for para me tirar do ostracismo,
Passar a conhecer mais a mim, dar-me bem mais importância;
Quero escalar a parede desse abismo que mergulhei e não tem arremate.

É, foi missão; é, foi de supetão; preenchi o papel em branco,
Enterrei o ranço sendo franco e fui de encontro à vida.

Lembra? vale ressaltar: até se derramam as tintas, até se misturam as cores, até não se pintam amores – mas a tinta não pode acabar.

André Anlub

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