Flechadas e frio


Flechadas e frio

Foi empregado o legado de um suculento argumento roliço.
Que seguia uma torta linha tênue, porém eficaz.
Trouxe um conflito mutante, embora antes travestido de paz;
Havia formado o paradigma doce – posto que agora migrasse ao mortiço.

Chove fraco lá fora; enquanto dentro é tempestade e naufrágio;
Queimam árvores pela cercania; enquanto dentro jaz o incendiário.

Foram cantadas doces, dançantes e melosas melodias
Que balançavam as pessoas e espalhavam as cinzas.
Nomes escritos em pedras; nos rostos pinturas de guerra;
Bocas rubras dentadas – orgias que giram a esfera.

Sol quente na cachola de uma gente; somente aos que estão fenecidos;
Encharcam e transbordam os rios – em sonho, em rebanho e em delírio.

Reminiscências e larvas das palavras que nunca foram ditas;
Atuações sem ações, sacrifícios que se inundam e escorrem nos orifícios.
Tudo foi lenda, arrepio – presunção de um viver e sua glória,
Agora é frente de desapontamento – e costas, flechadas e muito frio.

André Anlub
(22/3/17)

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