Ode a ela


De toda a imensidão do planeta
só quero estar nesse mar belo
de Iemanjá, Iracema, Otelo.
Mar de perfeitos sonhos
folclores, tesouros e viços
dos nautas, vikings, corsários
navegadores fenícios.
Mar de amores lendários
imaginários, antigos
concretos, ambíguos
de interminável poesia
que em toda alma habita.

Será que sou ave em seu sonho? (Ode a ela)
– Até coloquem palavras em minha boca... mas que nasçam poesias.

Tempo malvado, malvisto e infausto. Muitas águas tumultuosas – marés nervosas – ventos de inverno e inferno astral: sei de pessoas idosas com extrema dificuldade em andar/nadar.
Vejo algoritmos de vaivéns escritos sem nitidez em pergaminhos; peço ajuda a estranhos e fico aborrecido por desconstruírem meu ninho.
Desenterrei meu tesouro e veio-me você – assim – num estouro –, deixando o que pode no poço e empossando-se agradavelmente do espaço.
Hoje sou o mesmo Eu, mas mais suave; sou velho, menino e sou ave.
Voei – vou e fui bem longe: larguei a máscara de mau moço, pois é mau demais para onde vou – é mau demais para tudo isso (que está por vir).
Jocoso – o sorriso largo do lagarto ao ver nascerem suas pernas na saída do lago.
Viçoso – saber que foi sonho ao ver do lagarto um lacaio atropelado na estrada. O tempo é intenso, anda com pressa e sente medo e se sente vivo; faz ideia que loucura é isso?
Ganhei a confiança da mudança, estou voando e procurando a janta: salmão, garoupa, lagosta?
Tudo tem sua hora e tem o espaço a ser ocupado e tem regaço e tem aurora.
E no sonho temos o céu, não somos cegos e citamos metáforas: ajeitei a cozinha, voltei da vinícola, me espere pescar... você fisgou seu peixe, é de praxe, mas odeia comê-lo cru e sozinha; bom apetite – vou cozer para nós.

André Anlub

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