Canguru vagabundo no fiofó do mundo


Canguru vagabundo no fiofó do mundo

Vislumbro ambientes tranquilos e meio a ermo;
E ainda com amigos ou sozinho sinto-me o mesmo.
Há ventania que não me carrega e me agrada,
Há maresia que me liberta e me afaga.

Minha janela deságua num mundo inteiro;
Minha solidão em vão é vista no nada.

Chamam-me em segredo para uma fina festa;
E sem medo usei o meu rabo de lança
Acertei o desabrigo – o inimigo que me resta;
O vi chorar na ponta da lança como criança.

Há fogueiras, zoeiras, intrigas, folguedos;
Esqueci o meu tempo no fundo de uma gaveta,
Pois dar conselho não há ninguém que se atreva,
E dancei com lobos, tolos, deuses e meus medos.

Sou um sujeito feito um feliz canguru:
Carrego uma pochete feito bolsa na cintura;
Gosto de boxe e caminho em pé ao natural;
Tenho um rabo comprido – invisível – vermelho,
E com uma afiada ponta de lança no final.

Sou um sujeito canguru em meus sonhos,
Acordei querendo ser novamente.
A distância criou meu nefasto enredo,
O meu voo levou-me a reconhecer os estanhos.

André Anlub
(21/3/17)

Postagens mais visitadas deste blog

A chuva bem-vinda

Tempo de recomeço

Um Eu qualquer