Doce amante


Quando há um recorrente receio em se expor e desagradar a quem se tem afeto, fecha-se; e ao se fechar, ao esconder suas ideias, esconde também sua alma... então não vive, apenas segue desagradando a si próprio.

Assanho, assumo e ascendo e nada mais nesse mundo pode fazer-me mal;
Assino embaixo para o assassino que me assente e encare a morte de frente.
Quero me ver envelhecer no meu barquinho em frente a um grande e azul Mar de sal.

Não vou mais me envenenar no meu banquinho em frente ao grande e turvo Mar de gente.

Doce amante

Atravesso os mais tortuosos logradouros
Cobiço as respostas e não os louros
Viro o mundo do avesso, faço um desenho. 
Não perco ou esqueço o meu rascunho.

Enfrento mandinga, sol quente e dilúvio
Posso ser pigmento sólido ou pó solúvel
No papel deixo minha vida e assino embaixo
Transmito o que eu vivo e penso, em ínfimo espaço.

Dos amigos espero apenas reconhecimento
Dos inimigos o silêncio já me agrada
Mostro que faço tudo com pura paixão
Tatuei com suor e sangue na testa: “determinação”.

Vejo no horizonte a linha de chegada 
E essa jornada é mais que gratificante
Sei que não sou uma errante alma penada

Trato a arte como uma doce amante.

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