Da loucura, do som, da união


- A condição “sine qua non” para sua existência é macabra:
Língua de serpente, asa de morcego e chifre de cabra
Seu amor é cego... 
Arrancou-lhe os olhos.
Nesse holocausto é só mais um fausto
Fato verídico que poucos notam
Na ponta da faca escorre uma gota
Podendo ser sangue, suor ou pranto.


- Às vezes uma doença grave pode ser a irmã mais velha da fé.


- Aves que voam no além-mar
Sentindo a salinidade existente
Liberdade de tocar a epiderme da vida.
Aves migratórias de voos extensos
Atravessam continentes com suas asas enérgicas
A brisa é sua amiga e confidente
O homem aqui embaixo
Plantado! confinado na inveja.


- Cai dente de leite
Estrela cadente
No céu da boca.
Dança de línguas
Mingau adoçado
Letrinhas na sopa.
Um pé de manga
E bem ao lado 
Pé de fio dental.
Um ponto final
Logo depois
Etecetera e tal.


Da loucura, do som, da união
Larissa Linda Rosa e André Anlub (Minas/Rio - 17/5/13)

Quando o batuque ecoa em meus ouvidos
sinto o vento da floresta
escuto sua escuridão
a ritmar as batidas do meu coração.

Som de idolatria e união
inspiração e poesia, em um só deus
Filisteu de hoje em dia
no ritmo que irradia, saindo do breu.

E no meio da mata densa
a fumaça faz o nevoeiro da festa pagã
purgação de pecados
catarse no grito do velho xamã.

Ah, devemos ser loucos varridos
ouço zunidos, mas da melhor música.
E numa insana busca
a poética incrusta
os corpos de seres vividos.

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