Dos mutáveis


Dos mutáveis (música ainda sem refrão – Fev/2014)

Fulano recebeu uma maravilhosa proposta de trabalho, 
Atalho para sua tão esperada firmeza financeira,
Sem eira nem beira mandou a sugestão pra casa do pariu
Não queria desvincular-se da sua rua, do seu passado.

Beltrano sempre arriscou em todas as esferas de sua vida
Mudava de ofício e edifício inúmeras vezes
As conquistas eram suas inéditas cobiças
O cardápio de peixes era farto em suas inquietas redes.

Falando de um ser pré-histórico... O camaleão
O fóssil mais antigo tem vinte seis milhões de anos
E sua mudança de cor de camuflagem notória
Salvando sua pele e abonando sua adaptação.

Como disse Darwin:
“Não é o mais forte nem o mais inteligente que sobrevive, mas o que melhor se adapta às mudanças.”

Em um tipo de pessoa essa frase pode até se encaixar
O ser que é adaptável e não se deixa levar
É variável nas suas regras e andanças
E estando bem, qualquer lugar é seu habitat.

Beltrano ficou dez anos trabalhando na mesma labuta
Acomodou-se, e o salário estagnou em um patamar
Mas no quase se afogar recebeu um telefonema do amigo
Ele estava em uma cidade pequena e firme na luta
Ofereceu-lhe uma gerência e também um abrigo.

O amigo disse não... Para aprimorar não tinha pressa
Disse que na próxima remessa ele iria repensar
Mas na verdade se mudar nunca esteve nos seus planos
Foi um de seus maiores enganos...

O tempo foi passando e na véspera de se aposentar
Beltrano caiu na real do salário que iria receber
Era tão pouco pelo caro que pagou para ali viver
Descobriu depois de velho que havia entrado pelo cano.

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