No tempo certeiro


No tempo certeiro (7/1/17)

Hoje meu céu amanheceu encarquilhado
Com tons bucólicos e forma cactácea;
Dentro de um escarcéu de folguedo afundado
Circo pegando fogo; chama em círculo de encruzilhada. 

A breve paixão derreteu ao calor da ideia
Escorreu pelo meio-fio; se escondeu na própria sujeira.
De asneira em asneira minha juventude torna-se velha;
De vela em vela rezo a oração de uma vida inteira.

Posso e passo, verso e frente, sou veemente crente;
Logo veio-me um pensamento peremptório:
Eu, engravatado e indiferente, esgaravatava o dente...
Tudo diante e dentro da minha breve memória.

Já fui esnobe, indiferente sem nunca pisar em ovos,
Sacudindo pouco minha alma diante dos belos corpos.
Certa noite caiu mais doce, e meu coração foi usurpado...
Sem culpa ou culpado, sou no amor paciente e derrotado. 

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