Sopro


Sopro

Fica tão óbvio, mas por que não falar de amor?
Ópio que entorpece o que se lembra, o que se esquece
Faz do momento um próprio vício
Fica tão certo quanto a foice e o martelo
E crava o prego na construção da casa.

Por fim, um fogo queima tudo e todos
Na maldição do tempo, deixando cinzas ao vento.

O ontem que já foi, correu cabreiro ligeiro
Como já foi o que o ontem alimentou.
Hoje, resta o ranço da fanhosa fome de hoje
Fica tão hoje o desejo de repetir o que passou.

"Si paisible" a criança desce o escorregador,
Calhando segura em segundos – sua alegria.

Homens correm as vidas, as que não tiveram;
Correm, não vivem e às vezes enricam, choram.
Nunca alcançam suas auras, o sopro que já se foi
Seguem deprimidos, em comprimidos infelizes.

Nem notam que jazem na utopia vazia.

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