Viver, o crime


Viver, o crime (30/3/17)

As solas dos sapatos são selos de vida... 
E, goste ou não, já estão gastas;
Os pés andam firmes no pensamento lúdico...
Mesas lisas; mesas fartas.

Vê-se um filme antigo no inaugurado cinema novo...
O nada pouco povo pobre fica de fora;
Encareceram o acesso público,
Esclareceram que já não é de agora.

Sendo em suma maior de idade:

A cachoeira gelada convida ao banho;
A cachorrada quente convida ao assanho.
Tanto uma como a outra fazem parte de um todo,
Do que lambe e limpa o lodo da desigualdade.

Sendo em sonho menor de idade:

Vamos queimar gordura e arrepiar os pelos,
Pelos novelos novos; pelo não cair dos cabelos.
Os direitos não estão direitos:
Vai-se o nosso tempo;
Os deveres se graduam a esmo:
Devora-nos a realidade.

Os pés já andam descalços,
No encalço da felicidade.
A igualdade é dinossauro utópico,
Junto ao ópio de mediocridade.

O cinema pegou fogo,
Colocando inveja ao circo.
Tem pão, mas não tem o ovo,
Fazendo do viver seu crime.

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