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Mostrando postagens de Janeiro 12, 2017

Sossego

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Bairro Seminário, Crato/CE
Sossego (2009)

O meu sossego nunca existiu
Pois dele não tenho apreço
Quem me vê e quem me viu
Sabe que viro a vida do avesso

Sossego a meu ver é igual morte
E com sorte não quero nem ver
Agitação é miocárdio bem forte
Bate sempre com sorte ao bel-prazer

Sossego de repente pode até ser brisa
Passa bem rápida, enfática que nem inferniza
Pode ser também a hipnótica e doce monotonia
Ficar parado, enraizado, à toa em melancolia. 

No desapego, o meu sossego pode ser dor
Ver a flor em pouco tempo despetalar
Uma nova desabrochar e o Sol ser pôr
O que for... deixem meu sossego serenar. 

André Anlub

Dueto XII

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Dueto XII
(Rogério Camargo e André Anlub)

Andava sobre as águas ou sobre alguma coisa que as águas diziam ser,
Embrião de certo ancestral que vivia num tempo medi-eval, ou num que fazia jus a crer...
Tudo por ali se escoava porque águas escoam, se lhes é permitido
E no mesmo sentido a pureza norteia e desfaz o vil “umbigo” que a grandeza diz ter.
Ter, ter. Se a grandeza tem de fato não é o ato de dizer nem o de esconder ou de prometer que garante às águas o que as águas garantem, e seguem nada errantes, buscando o conforto no dom de ser parte de toda a concepção.
Andava sobre as águas como uma caravela sem velas, casco ou tripulantes
Era louco varrido – varrendo – variante, variável várias vezes de variedade em variedade.
Era um elemento químico, ou sólido, ou filme... quiçá fuligem de mente de símio, mas absurdamente pensante.
Olhava para o que as águas diziam ser, olhava para si mesmo nas águas, olhava para o impossível de tudo.
Chegou à conclusão do absurdo que é ser louco, símio, embrião, va…