Postagens

Mostrando postagens de Janeiro 25, 2017

Dueto LXXIII

Imagem
Dueto LXXIII
O corpo passou como uma sombra densa, adensando cada vez mais na imaginação; O corpo antes de carne e osso, agora é alma e esboço, meio acabamento, arte final de cores, letras, músicas e varia-ções. Quanto mais perde a forma na distância, mais toma forma na memória e no desejo de que não saia da memória. As solas de seus pés deixam pegadas coloridas e notas musicais nas areias, nas estradas, nas montanhas onde passam; no voo formam um arco-íris que serve de partitura aos pássaros. Dissolve-se o concreto e concretiza-se o abstrato no tra-to da música, na música do contrato entre a alma e seu retrato. É meramente puro e imediato, é a interação da atuação da arte com a ação da alma – casamento perfeito, fato consumi-do e congeminado. O corpo que passa não é o corpo que fica. O corpo que fica nem conhece o corpo que passa. Por isso não passa. Estacionado no momento, mas na combustão borbulha desvairadamente em inspirações que as transpirações transformarão em matéria, talvez, ou talve…