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Mostrando postagens de Fevereiro 3, 2017

Ótima noite

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Livros de leitura mais longa: Alma de Rogério Camargo, Estação Perdido de China Miéville



Dueto LXII

Dueto LXII

Dia cheio, manhã nublada com cheiro de chuva e sem galo cantando; o moleque já solta versos pelo pomar.
Alguns deles já são frutos colhidos, outros são sementes jogadas; alguns deles falam sobre amores eternos, outros são menos utópicos.
O top dos tops é a inspiração, a respiração da alma, a calma perturbada pela eletricidade, a cidade inteira em sua casa.
É menino de imaginação fértil, pomar fértil, e não pre-cisa de mais nada; para ele a eletricidade até existe, mas basta ser desligada.
Temores, tremores, tambores, estertores, tudo cessa porque ele quer espaço, e voa ao espaço no compasso longo e largo que será ligado aos futuros amores.
Menino dançante e dançável no ritmo de seus versos i-nacabados, de sua mensagem procurando destinatário ao acaso.
Tarde cheia, tarde de sol com cheiro de música; a festa anunciada, a mesa farta, e os versos agora soltos pela mata.
O moleque estica a mão em seu pomar de versos, colhe alguma coisa que é mais do que alguma coisa, aproxima dos olhos …

Dueto XLI

Dueto XLI

Em absoluto sigilo o coração transformou-se num ninho e o ninho que o coração era abrigou o que não era
Uma espécie de guerra ente anjos e feras, que formam uma indecência e ferem fincando as fictícias facas nas faces de maleficência.
Era outra espécie de guerra, onde os sentimentos, por momentos, à voz dos ventos, iam de lamentos a euforias.
Se via nas entrelinhas que formavam-se grandes festas que aparavam as arestas nos corações de inocência.
Coisas do coração, diriam os simplistas, conferindo lis-tas e indo para as pistas de corrida fazer apostas.
Coisas da poesia, diriam com ironia, os apaixonados de plantão; achando que não haveria outra resposta à questão.
Enquanto o isso o coração, sem compromisso de ante-mão, fazia disso a relação de A com B, de B com A sem que o ABC soubesse de mim/você, podendo assim se intrometer, que-brando o verso e fazendo, de resto, com plena satisfação,
O que as satisfações fazem, mesmo insatisfeitas. Desta feita, porém, o ninho aninhava e esperava …

Dueto XL

Dueto XL

Um vento quente como o hálito de um bêbado bateu no rosto da desconfiança.
Deixou o desembaraço da incoerência, pois ninguém havia desconfiado desse ato.
Ela fazia sozinha o seu melancólico show de calouros, como as bonecas esfarrapadas de uma criança pobre.
Ela é esnobe; talvez pobre de espírito com tal artifício de em nada acreditar.
O vento quente seguiu seu destino e sua tarefa, deixan-do para trás um espetáculo mal acabado como o esqueleto de um prédio
Esperto! - o vento não para quieto, não esquenta lugar, não cria raiz, família, não constrói lar.
A desconfiança tem todos os motivos para não confiar nele e ele tem todas as razões para não levá-la a sério.
Esse (des) casamento é um mistério! - o vento sempre volta de surpresa (nisso todos confiam) e prega uma peça nos esquecidos, pois ele vem abraçado com o improviso.
O vento passa e a desconfiança fica, enraizada em terra ruim enquanto ele vai plantando inconsistências pelos ares.
Ela cria seus azares nas consciências em decadênc…