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Mostrando postagens de Fevereiro 13, 2017

Momentos

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O ser notívago
Avenidas vazias, mãos e contramãos de molambos Pelos mausoléus de fantasmas, passam colecionadores de isqueiros inúteis... Catando lixos, latas e vidas ocas.
Sem pressa, arrastando corrente e levando seu corpo moribundo Andam se esquivando de nada e balançando ao vento.
Ao som de motores noturnos, a luz dos postes e faróis... Muitas vezes os remetem a uma vida de festas,  Uma existência regada a drogas que foram trocadas por comida e sexo.
Expectativas são contratempos de eras e momentos que não passam Das bocas as mais puras conjecturas, dos olhos as bulas de remédios de leituras Desenfeitam qualquer paisagem, enfeiam o que de pior que há.
Na fantasia de um deles surge um pássaro de bela penugem O canto... Uma variação de tenor e gênero lírico, sublime delírio Com o toque de um panorama, o inverno senta na primeira fila.
Não existem sapatos, pisa descalço em uma linda grama verde Entre seus farrapos e uma velha esteira Acabou o artefato, passou a loucura... Chega enfim o “canto” de uma …

A ilha em êxtase

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A ilha em êxtase 

E agora, estava mais que na hora, o entusiasmo veio.
No veio de quem somos; no velho clichê de quem deveríamos ser.
O abstrato na tela uma ilha revela o absinto para encarar o abismo;
Na retrospectiva da vida – um bel prazer –, a perplexa perspectiva a nosso ver.

Somos quem somos, e já estava na hora do abrigo de um alento amigo.

Publiquem em letras garrafais: nossa vida é particular...
Mas mostrem o que há de divertido.
Exponham em íntimos ouvidos: quase tudo de todos soa peculiar...
Mas é assim que é para mostrar.

O tempo alcançou o próprio tempo,
Como a cobra comendo seu rabo.
Na frase eu me acabo; no vento você se inventa;
Como a cobra com salada, pimentões e pepinos.

Fecho os olhos e vejo um mar na nossa avenida;
Obro os olhos e vejo que sou um belo peixe...
Tire suas roupas e ao meu lado deite-se;
Deixe-se levar e me leve para sua ilha da vida. 

André Anlub
(13/2/17)

Ótima tarde

Ao ver teu choro da fumaça danada,
Senti-me com uma facada, uma dor aguda nos ossos,
Na alma e no peito;
Nos olhos as pupilas dilatam, e na lata a vermelhidão do sem jeito...
Pela carência do ar da armada e a dúbia imposição do respeito.

A impunidade é como um patrono para a contravenção: apoia – encobre – estimula;
A lei e seu longo braço ficam sem a mão: impotente – descrente – nula!

Brisa que abre o portão vem do vai e vem das ondas, ultrapassando o varal, acalentando as roupas; moveu o barco pesqueiro, mudou de lugar uma duna, fez levitar uma pluma e dispersou o nevoeiro; brisa gélida de inverno alegrou o dente de leão, soprou ao rosto, encheu o pulmão; e nas manhãs corriqueiras espalhou o aroma do pão.

André Anlub