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Mostrando postagens de Março 4, 2017

Impulso do mundo

Impulso do mundo (4/3/17)

A inquietação da língua fez-me escrever tais aforismos
Em inícios, meios, fins e afins no a fim de espairecer.
Ela, imensa, na mente a imagem intensa do meu bem-querer;
Sou assaz devotado e derrotado, o amor sem dor e egoísmos,
Venceu-me na guerra eterna e benquista da conquista. 

Na efemeridade não há enfermidade que não se queira,
Na gostosa zoeira arteira, o doce mel que derrama em brincadeiras;
Vi-me guri, lisonjeado e acolhido por ser o escolhido,
A flechada do Cupido, o culpado por toda alegria que vivo.

A solidão – agora quieta – não mais me abocanha a alma,
Aguarda calma sabendo que um dia chegará novamente sua vez.
A solidão é solícita para esfriar o corpo e esquentar a saudade,
Que faz sua parte apimentando – à parte – toda relação.

Vejo você no horizonte, o coração se faz fera e acelera,
Encerro minhas palavras, pois tais não são necessárias;
Sossego minha língua – antes convulsa –, reservo aos beijos...
O mundo quase sai de seu eixo, pois é esse amor que o impulsa…

• Prêmio Prata da Casa Personalidade 2017 (Embaixada da Poesia)

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• Prêmio Prata da Casa Personalidade 2017 (Embaixada da Poesia)

Vivências da madrugada 
                        Romero se deu conta da existência do preconceito de uma maneira curiosa, pois se deparou com ele pelo lado de quem está praticamente resguardado; na verdade mal sabia ele que o racismo sempre fez parte do seu meio, dos seus amigos de escola, da cidade, do bairro, do prédio onde vivia e, até mesmo, dos olhares críticos de seus familiares... Ele até poderia falar que o racismo era sutil, mas não poderia ser tão atrevido, debochado e perspicaz assim, por se tratar de um branco, heterossexual, de classe média, e não estar ciente da verdade dentro do corriqueiro dos seus amigos afrodescendentes. Romero estava com dois grandes amigos, o Grilo (amigo de longas datas) e Isaac (cinco anos que o conhecia), um viciado em quadrinhos de ficção científica, surfista, boa praça, comunicativo e extrovertido, morador de um apartamento mínimo – em um prédio do bairro –, considerado uma “cabeça d…